Entre 6 de dezembro de 2025 e 6 de fevereiro de 2026, Portugal Continental registou apenas seis dias sem qualquer precipitação, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Este período, marcado pela passagem sucessiva de frentes atlânticas, inclui apenas um intervalo de três dias consecutivos sem chuva, entre 28 e 31 de dezembro, o que foge ao padrão típico do inverno português.
Ao comparar os valores com a média climatológica de referência 1991-2020, percebe-se a dimensão excecional deste inverno. Normalmente, o anticiclone dos Açores permite dias secos regulares, com 15 a 17 dias sem precipitação significativa em dezembro e 13 a 15 dias secos em janeiro. No entanto, em dezembro de 2025 registaram-se apenas cinco dias secos, enquanto janeiro de 2026 contou com apenas um único dia sem chuva, o dia 12, revelando uma sequência anormalmente constante de precipitação.
Segundo os registos do IPMA, este comportamento atmosférico resulta da quase ausência de períodos prolongados de estabilidade, com apenas um intervalo de três dias consecutivos sem precipitação desde 6 de dezembro, quando normalmente se registam três a quatro períodos deste tipo por mês.
O único curto período de estabilidade ocorreu graças a um anticiclone temporário, que bloqueou a entrada de perturbações atlânticas, registando-se céu limpo, geadas no interior e zero milímetros de precipitação em todas as capitais de distrito do continente. A pausa foi breve e interrompida a 1 de janeiro com a entrada da primeira depressão de 2026, que deu início a novos episódios de chuva contínua.
Impacto em diferentes regiões do país
A precipitação persistente afetou todo o território, mas com particular intensidade em algumas áreas. Em Lisboa, os dias de chuva foram quase contínuos, com frentes atlânticas sucessivas trazendo chuva moderada a forte e reduzindo ao mínimo os intervalos secos.
No Porto, o padrão foi ainda mais intenso, refletindo circulação zonal intensa e quase nenhum dia sem precipitação. Leiria, na zona de transição litoral-interior, também registou elevados números de dias chuvosos, contribuindo para saturação dos solos e episódios recorrentes de cheias e inundações. Surpreendentemente, o Algarve, tradicionalmente menos exposto a precipitação prolongada, registou chuvas frequentes, obrigando barragens a descarregar água e contrariando o padrão histórico de períodos secos.







