O fim da guerra na Ucrânia é ainda uma miragem com contornos distantes mas Kiev e aliados já discutem como será a reconstrução de um país devastado pela invasão da Rússia, como verificar todos os danos em infraestrutura causados e como calcular cada cêntimo que o Kremlin terá de assegurar para que a Ucrânia se reerga.
As dúvidas são muitas, mas há um novo aliado de peso na precisão com que serão feitas as contas: a Inteligência Artificial (IA).
Em causa está um algoritmo, criado durante a guerra na Síria, que é capaz de avaliar os danos causados por conflitos armados, através de imagens de satélite. A ferramenta poderá agora ser utilizada na guerra na Ucrânia.
“O projeto consiste em combinar sensoriamento remoto [uma ferramenta geográfica] com novas metodologias de IA, em nesse caso específico em modelos de classificação de imagens”, explica Andre Groeger, investigador espanhol da Universidade Autónoma de Barcelona e um dos responsáveis pelo projeto, em declarações ao El Mundo.
Até agora, os danos a edifícios e infraestruturas fruto de guerras era medidos manualmente, por pessoas no terreno, investigadores, jornalistas ou órgãos governamentais, que identificavam os locais destruídos com fotografias.
“A maioria dos dados obtidos nos conflitos é escassa e tendenciosa”, explica o responsável, indicando que a ferramenta da IA que desenvolveu permite solucionar essa necessidade, através “de dados objetivos”, que são extraídos de imagens captadas por satélites e que “são fáceis de atualizar”, permitindo uma estimativa mais aproximada da realidade dos custos económicos da reconstrução da Ucrânia.
O algoritmo esta agora “a ser treinado” com dados relativos ao território ucraniano, já que foi originalmente desenvolvido para a Síria, e era-se que produza “os primeiros resultados já no final do verão ou início do outono”.
Num encontro em Londres, sobre a reconstrução da Ucrânia, especialistas apontaram que os custos das obras superarão os 40 mil milhões de euros e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, sublinhou que “os responsáveis terão de pagar”.
Andre Groeger explica que está também a receber dados do projeto ‘A Rússia vai pagar’, da Escola de Economia de Kiev, que recolhe avalia e documenta dados dobre perdas de infraestruturas civis diretamente relacionadas com a invasão russa.
“São dados muito importantes para a Ucrânia, mas também para o resto da Europa”, termina o investigador.














