Inteligência artificial já rivaliza e ultrapassa a humana em várias tarefas, alertam os ‘padrinhos’ desta tecnologia. Mas há uma exceção

A inteligência artificial (IA) já atingiu – e em alguns casos ultrapassou – o nível da inteligência humana em determinadas tarefas, segundo alguns dos mais influentes cientistas e engenheiros da atualidade. A afirmação foi feita por seis dos chamados “padrinhos” da revolução tecnológica durante a Cimeira do Futuro da IA, organizada pelo Financial Times em Londres, esta quarta-feira.

Pedro Gonçalves
Novembro 7, 2025
12:24

A inteligência artificial (IA) já atingiu – e em alguns casos ultrapassou – o nível da inteligência humana em determinadas tarefas, segundo alguns dos mais influentes cientistas e engenheiros da atualidade. A afirmação foi feita por seis dos chamados “padrinhos” da revolução tecnológica durante a Cimeira do Futuro da IA, organizada pelo Financial Times em Londres, esta quarta-feira.

O grupo de especialistas, distinguido esta semana com o Prémio de Engenharia Rainha Isabel II, inclui Jensen Huang, diretor executivo da Nvidia; Yann LeCun, responsável pela divisão de IA da Meta; e os cientistas Yoshua Bengio, Geoffrey Hinton, Fei-Fei Li e Bill Dally — nomes fundamentais no desenvolvimento da inteligência artificial moderna.

Durante a cerimónia, o CEO da Nvidia afirmou que “pela primeira vez, a IA é uma inteligência que complementa as pessoas, que trabalha e executa tarefas reais”. Huang acrescentou que “já temos inteligência geral suficiente para converter esta tecnologia em inúmeras aplicações úteis para a sociedade — e estamos a fazê-lo agora”.

O conceito de Inteligência Geral Artificial (AGI, na sigla inglesa), que define sistemas com capacidades cognitivas equivalentes às humanas, é hoje o grande objetivo da indústria tecnológica e um dos temas mais debatidos no setor. Empresas como a OpenAI e a Anthropic atraíram milhares de milhões de dólares em investimentos para concretizar esse avanço, enquanto Estados Unidos e China competem pela liderança global nesta corrida científica.

O entusiasmo em torno da AGI tem alimentado o crescimento do valor de mercado de empresas públicas e privadas ligadas à IA. De acordo com o Financial Times, o termo “AGI” foi mencionado 53% mais vezes nas conferências de resultados empresariais do primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, sinalizando a crescente aposta das companhias na transição para sistemas inteligentes mais avançados.

Enquanto alguns investigadores e investidores preveem que a AGI poderá ser alcançada dentro de dois anos, outros defendem que o marco ainda está a décadas de distância.

Especialistas divergem sobre o ritmo da evolução
Para Yann LeCun, da Meta, a chegada da inteligência artificial geral não será um momento isolado, mas um processo gradual. “Não vai ser um acontecimento, porque as capacidades vão expandir-se progressivamente em vários domínios”, explicou o cientista francês.

Na mesma linha, Jensen Huang afirmou que “já lá estamos… e não interessa porque, nesta altura, é uma questão um pouco académica”, reforçando que a tecnologia continuará a ser aplicada de forma crescente em contextos reais.

Máquinas já superam humanos em múltiplos domínios
A investigadora Fei-Fei Li, fundadora da World Labs, empresa que desenvolve sistemas de “inteligência espacial” inspirados na perceção visual humana, sublinhou que “parte das máquinas já ultrapassa a inteligência humana”. Questionou: “Quantos de nós conseguem reconhecer 22 mil objetos no mundo ou traduzir 100 línguas?” — destacando que estas capacidades já estão ao alcance dos algoritmos atuais.

Apesar disso, Li considera que a IA não substitui o pensamento humano: “A inteligência baseada em máquinas fará coisas extraordinárias, mas a inteligência humana continuará a ter um papel essencial na nossa sociedade.”

A previsão de Geoffrey Hinton e o aviso de Bengio
O britânico Geoffrey Hinton, vencedor do Prémio Nobel da Física em 2024 pelo seu trabalho na aprendizagem automática, acredita que a supremacia cognitiva das máquinas está próxima. “Quanto tempo falta para que, num debate com uma máquina, ela ganhe sempre? Penso que acontecerá definitivamente dentro de 20 anos”, afirmou.

Já o canadiano Yoshua Bengio, galardoado com o Prémio Turing, considera inevitável que a inteligência artificial alcance e ultrapasse as capacidades humanas. “Não vejo qualquer razão para que, a dada altura, não consigamos construir máquinas capazes de fazer tudo o que nós fazemos”, disse, embora ressalve que “por enquanto, ainda não estamos lá”.

Bengio alertou, contudo, para a necessidade de cautela: “É preciso ser agnóstico e evitar grandes afirmações, porque há muitos futuros possíveis agora.”

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