A vitória do “socialista” e “moderado” António José Seguro sobre o “populista” de “extrema-direita” André Ventura nas eleições presidenciais está em destaque na imprensa europeias, com os ecos a chegarem até ao outro lado do Atlântico.
“O socialista António José Seguro derrota nas presidenciais o populista André Ventura. Os portugueses elegeram um moderado, que estava há mais de uma década fora da política, para substituir Marcelo Rebelo de Sousa”, escreve o El País.
O diário espanhol de referência lembra que o novo Presidente da República português foi “desdenhado pelos barões do Partido Socialista” no início da sua corrida a Belém e que venceu “com um estilo conciliador frente ao populismo” do líder do Chega.
“Vitória ampla do socialista Seguro frente ao ultradireitista Ventura”, informa o também espanhol El Mundo, com a ideia a ser replicada no Le Monde.
O diário francês, que chama candidato da “extrema-direita” a Ventura, recorda que o recém-eleito chefe de Estado assegurou “o apoio de numerosas personalidades políticas da extrema-esquerda, do centro e mesmo da direita, mas não do primeiro-ministro, Luís Montenegro”.
“No meio de fortes tempestades, os portugueses elegeram um novo presidente. As projeções iniciais mostram o candidato populista de direita Ventura muito atrás do socialista Seguro”, noticia o alemão Der Spiegel.
Já o The Guardian refere que “o moderado socialista derrotou o populista de extrema-direita André Ventura”.
“Uma sucessão de tempestades nos últimos dias não demoveu os eleitores, com a participação a ser semelhante à da primeira volta, em 18 de janeiro”, nota o jornal britânico, que não se esquece de mencionar as freguesias que adiaram o sufrágio.
Meio europeu de referência, o Politico diz que o “candidato do centro-esquerda” derrotou o líder da extrema-direita. “Seguro, um moderado que a ganhou a primeira volta em 18 de janeiro, tornou-se uma escolha segura para contrariar o candidato do Chega”, que este meio digital descreve como “anticiganos, anti-imigrantes e antissistema”.
O brasileiro O Globo repete a ideia preferencial dos jornais europeus, optando pelo título “Socialista António Seguro derrota candidato da extrema-direita”.
“As projeções apontam para uma vitória confortável de António José Seguro, mas uma presença nacionalista na segunda volta demonstra que Portugal não está imune à crescente maré nacionalista na Europa”, vinca o The New York Times.
O reputado meio norte-americano escreve que a chegada de Ventura à segunda volta “alarmou o sistema [político] europeu”. “Sugeriu que Portugal, outrora considerado um dos últimos redutos do continente contra o nacionalismo de linha dura, já não está imune à onda populista”, analisou.
Por cá, são as frases dos protagonistas da noite a abrir os sites, variando consoante os discursos de Seguro, Ventura ou até do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Mas são o triplicar do número de votos brancos ou o recorde de votos de Mário Soares ultrapassado pelo novo Presidente da República os ‘apontamentos’ mais repetidos.
Com as 20 freguesias que adiaram a votação devido ao mau tempo e sete consulados por apurar, António José Seguro tem 3.482.481 votos (66,82%), com André Ventura com 1.729.381 (33,18%). O socialista ultrapassou os 3.459.521 votos de Mário Soares na sua reeleição em 1991, que representavam até este domingo a maior votação para a Presidência da República.








