A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de um homem de 78 anos, no Seixal, que aguardou quase três horas pela chegada de meios de emergência médica. O objetivo da investigação passa por avaliar a qualidade do serviço prestado, nomeadamente no que respeita à prontidão da resposta em situações urgentes.
Segundo informações avançadas pela CNN Portugal, a IGAS pretende analisar em detalhe a atuação dos serviços de emergência, com particular incidência no funcionamento e na capacidade de resposta do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) no caso concreto.
Esta quarta-feira, o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, assegurou que “o sistema não falhou” e que o novo modelo de despacho de meios “não teve influência” na resposta dada. De acordo com o responsável, o socorro foi ativado ao fim de 15 minutos, mas não foi possível enviar uma ambulância por falta de meios disponíveis na margem sul do Tejo.
“Não houve falhas, mas dificuldades em encontrar meio para dar resposta”, afirmou aos jornalistas, sublinhando que “o INEM fez o seu trabalho”. Segundo explicou, as ambulâncias existentes estavam “retidas nas unidades de saúde”, impossibilitando uma resposta imediata no terreno.
“O que nós queríamos na realidade era enviar a ambulância ao fim de 15 minutos, foi isso que foi decidido pelo INEM, por via das nossas prioridades, mas infelizmente não havia ambulâncias disponíveis na margem sul para dar esta resposta”, declarou Luís Mendes Cabral.
O presidente do INEM garantiu ainda que a situação foi classificada como urgente, tal como teria acontecido no sistema de triagem anteriormente em vigor. “A prioridade que foi definida foi exatamente a mesma que teria sido definida no sistema de prioridades que o INEM tinha anteriormente, ou seja, uma prioridade urgente”, explicou.
Ainda assim, reconheceu que a escassez de meios na região tem condicionado a resposta a emergências. “A resposta do INEM foi dada dentro daquilo que era o prazo. Fizemos a nossa primeira tentativa de ativação de meios. Infelizmente, e como tem sido notícia em todos os órgãos de comunicação social do país, há uma limitação muito significativa de ambulâncias, principalmente na margem sul, por via da retenção dessas ambulâncias nas unidades de saúde”, acrescentou.
O homem que acabou por morrer tinha 78 anos e sofria de mieloma múltiplo, uma doença oncológica. Vivia sozinho, era autónomo e caiu em casa depois de tropeçar no fio de um aquecedor.
Após a queda, conseguiu ainda ligar a uma neta, que alertou de imediato o pai, filho do idoso. O filho deslocou-se rapidamente à residência e encontrou o pai sentado no sofá, consciente e aparentemente estável, embora com queixas de dores numa perna provocadas pela queda.
A primeira chamada para o 112 foi efetuada às 11h19. Apesar do alerta precoce, os meios de socorro não chegaram a tempo e o homem acabou por falecer enquanto aguardava assistência médica.
O corpo do idoso chegou a ser entregue a uma funerária, mas o Ministério Público determinou que fosse recolhido pelas autoridades para a realização de uma autópsia. A diligência pretende esclarecer as causas exatas da morte e apurar se a demora no socorro teve influência direta no desfecho.
O inquérito agora aberto pela IGAS deverá avaliar todo o circuito de resposta, desde a chamada inicial até à indisponibilidade de meios, num caso que volta a expor as fragilidades do sistema de emergência médica, sobretudo na margem sul.














