O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) disse hoje, no Porto, estar muito preocupado com a época alta do turismo, o verão, tendo em conta as várias questões e mudanças que se esperam no setor da aviação.
“No domínio das infraestruturas, temos de encontrar respostas para aqueles que querem visitar Portugal”, afirmou Bernardo Trindade, no Porto, no discurso de abertura do 35.º Congresso Nacional AHP.
A ideia é repetida por todos os agentes do setor, que reclamam soluções ao nível das infraestruturas que permitam receber mais turistas por via dos aeroportos, quer pelo desenvolvimento das vias ferroviárias e assim diversificar destinos turísticos no país.
“Se não tivermos respostas, então temos de estudar a carga sobre as cidades. Todos os seus impactos. Presentes e futuros. Somos adeptos da economia de mercado, agora quando a procura é constrangida pelo aeroporto, mais hotéis em zonas densamente povoadas, significa ter as mesmas pessoas distribuídos por mais hotéis. Dissemos isso em Lisboa onde, com o aeroporto saturado, segundo as consultoras teremos mais 45 hotéis até 2028, dizemos isso no Porto, onde até 2028 teremos mais de 35 novos hotéis”, justificou Bernardo Trindade.
O setor afasta que Portugal tenha turismo a mais, mas a maioria dos empresários do setor admitem que existe alguma concentração de turistas em cidades como Lisboa ou Porto, mas muito potencial ainda nas regiões em si.
O presidente da AHP lembrou ainda que, para além dos constrangimentos conhecidos na capacidade aeroportuária do aeroporto de Lisboa, também os 17 milhões de passageiros no Francisco Sá Carneiro, “não representando saturação, exigem que se olhe para a atual infraestrutura” aeroportuária.
Mas não é só a capacidade dos aeroportos que espoleta preocupação no setor.
“Estamos muito preocupados com o fim da moratória do Entry Exit System a 31 de março. Sabemos do esforço que o Governo tem feito para ajudar com a mobilização de agentes da GNR a juntar ao quadro permanente de agentes nos aeroportos. Sabemos do esforço que a ANA tem feito para arranjar espaço para mais boxes, mas o desafio é gigante”, reforçou.
Em 30 de dezembro de 2025, e após muitos constrangimentos no controlo de fronteiras no aeroporto em Lisboa, o Governo decidiu suspender durante três meses a aplicação do sistema informático Entry Exit System (EES) e aumentar em cerca de 30% a capacidade de equipamentos eletrónicos e físicos de controlo das fronteiras externas no aeroporto Humberto Delgado.
Hoje, para além desta situação, Bernardo Trindade ainda lembrou que Portugal vai ter um novo concessionário de ‘handling’ (assistência em terra a passageiros e bagagens) nos aeroportos do continente.
A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) atribuiu ao consórcio Clece/South — que reúne a espanhola Clece, empresa de serviços gerais, e a South Europe Ground Services – a licença para a prestação de serviços de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro por um período de sete anos, superando a proposta da SPdH, antiga Groundforce, detida em 50,1% pela britânica Menzies Aviation e em 49,9% pela TAP.
Para assegurar a continuidade do serviço, o Governo prorrogou em novembro as licenças em vigor até 19 de maio de 2026.
“Tantas questões em aberto, nomeadamente questões sindicais, e o prazo para a substituição está previsto para maio. Época alta. Estou mesmo preocupado. São muitos remendos”, sublinhou o presidente da AHP.
O congresso da AHP, que atualmente acontece a cada dois anos, decorre até 13 de fevereiro, na Alfândega do Porto, sob o tema “Wake Up Call: Despertar para a Mudança”, “um verdadeiro alerta para um setor que vai enfrentar transformações profundas e aceleradas”, segundo a associação.




