Hamas traça “linha vermelha” nas negociações de paz e exige que Israel liberte comandantes de alto-nível

Num momento de intensas negociações indiretas no Egito, o Hamas colocou como condição essencial a libertação de quatro comandantes de alto perfil detidos em Israel, considerados figuras estratégicas no movimento palestiniano. Segundo fontes de segurança israelitas citadas pela Euronews, esta exigência constitui uma “linha vermelha” que a equipa negociadora israelita não está disposta a ultrapassar.

Pedro Gonçalves
Outubro 8, 2025
14:57

Num momento de intensas negociações indiretas no Egito, o Hamas colocou como condição essencial a libertação de quatro comandantes de alto perfil detidos em Israel, considerados figuras estratégicas no movimento palestiniano. Segundo fontes de segurança israelitas citadas pela Euronews, esta exigência constitui uma “linha vermelha” que a equipa negociadora israelita não está disposta a ultrapassar.

Entre os nomes exigidos pelo Hamas encontram-se Marwan Barghouti, Ahmad Sa’adat, Hassan Salameh e Abbas al-Sayed — todos condenados a longas penas de prisão por envolvimento em ataques contra Israel.

Marwan Barghouti, líder sénior do Fatah, encontra-se preso desde 2002, condenado a cinco penas de prisão perpétua por homicídios ligados às Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. Ahmad Sa’adat, antigo secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina, cumpre 30 anos de prisão por ter organizado o assassinato do ministro israelita do Turismo Rehavam Ze’evi em 2001. Hassan Salameh, comandante do Hamas, cumpre 46 penas de prisão perpétua por atentados em autocarros nos anos 90 em Jerusalém e Telavive, que resultaram em dezenas de mortos. Abbas al-Sayed foi condenado a 35 penas consecutivas de prisão perpétua pelo atentado ao Hotel Park, em Netanya, em 2002, que matou 39 israelitas e feriu 140.

Fontes palestinianas citadas pela Euronews confirmam que Marwan Barghouti é considerado pelo Hamas como o elemento mais importante da lista, um aliado estratégico para a influência política futura do movimento, mesmo que um eventual acordo de paz preveja a sua saída do poder. Sa’adat simboliza, para o Hamas, a resistência palestiniana desde a prisão, enquanto Salameh é visto como um herói nacional e um símbolo de lealdade aos combatentes veteranos. A inclusão de al-Sayed reforça a intenção do Hamas em recuperar todos os elementos envolvidos em ataques de larga escala.

Posição de Israel e pontos de discórdia
Israel rejeita ceder a esta exigência. Fontes governamentais ouvidas pela Euronews reforçaram que “exigir a libertação destes terroristas significa mais guerra e a destruição total de Gaza”, considerando o pedido como uma “linha vermelha” nas negociações. O Governo israelita mantém que a libertação imediata dos 48 reféns é “não negociável”, conforme definido no plano do Presidente Donald Trump, apesar de reconhecer estar “cautelosamente otimista” quanto ao progresso das conversações no Egito.

Khalil al-Hayya, responsável pela equipa negociadora do Hamas no Egito, afirmou que qualquer acordo para libertar os reféns exigirá “garantias reais” de cessar-fogo duradouro. O plano proposto pela Casa Branca inclui três fases de retirada das forças israelitas, reduzindo gradualmente o controlo sobre Gaza, mas sem um cronograma definido. A divergência sobre o processo e o calendário é uma fonte significativa de tensão.

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