Guterres considera plano italiano Mattei um exemplo de cooperação com África

O secretário-geral da ONU afirmou hoje que o Plano Mattei, o programa de investimentos em África lançado por Itália para travar a migração ilegal, é um exemplo de cooperação baseada “no respeito mútuo e na confiança”.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 13, 2026
19:08

O secretário-geral da ONU afirmou hoje que o Plano Mattei, o programa de investimentos em África lançado por Itália para travar a migração ilegal, é um exemplo de cooperação baseada “no respeito mútuo e na confiança”.


“Seguindo a melhor tradição de cooperação com África, Itália demonstra através do Plano Mattei o seu claro compromisso com este tipo de cooperação e é um exemplo a seguir por outros”, declarou António Guterres na segunda edição da cimeira Itália-África, que decorre em Adis Abeba, Etiópia, segundo um comunicado divulgado pelas Nações Unidas (ONU).


Após dois anos de implementação e um investimento inicial de 5.500 milhões de euros, esta cimeira, que conta também com a participação da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pretende avaliar o progresso do Plano Mattei, a grande aposta estratégica apresentada por Roma em 2024 para liderar o desenvolvimento em África e travar a imigração irregular para a Europa.


Para reforçar o impacto deste programa, assinalou Guterres, são necessárias “três prioridades globais: justiça financeira, ação climática e uma transformação digital que funcione para todos”.


“Os países africanos pagam até oito vezes mais por empréstimos do que os países desenvolvidos. Isto dificulta o investimento e as oportunidades”, afirmou.


Guterres apelou a que se “aborde o problema da dívida e se reestruture uma arquitetura financeira global que reflita as realidades atuais, e não as estruturas de poder do passado”.


Isto, frisou, “é também uma das formas mais eficazes de enfrentar as causas profundas da migração irregular: criar emprego, reforçar os serviços e restaurar a esperança”.


No domínio climático, o ex-primeiro-ministro português lamentou que África receba apenas 2% do investimento mundial em energia limpa e sustentou que isso “tem de mudar”.


“Com os recursos renováveis e a jovem força de trabalho de África, e com parceiros que tragam capital e tecnologia, a transição para a energia limpa pode ser um motor de crescimento partilhado”, assegurou.


Por fim, Guterres defendeu que é necessário garantir que a inteligência artificial seja “segura, transparente e justa, com benefícios partilhados por todos”.


Guterres, cujo mandato à frente da ONU termina este ano, considerou que “o sucesso de África é essencial para um mundo mais seguro, mais igualitário e mais sustentável”.


O secretário-geral participa este fim de semana na cimeira de líderes da União Africana (UA), que tem lugar em Adis Abeba, com a presença de cerca de 40 chefes de Estado e de Governo e tendo como convidada especial Giorgia Meloni.


 

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