Guterres alerta para risco de “colapso financeiro iminente” da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, advertiu os Estados-membros de que a organização enfrenta um risco real de “colapso financeiro iminente”, devido ao não pagamento de quotas obrigatórias e a regras orçamentais que obrigam a devolver verbas não utilizadas.

Pedro Gonçalves
Janeiro 30, 2026
15:06

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, advertiu os Estados-membros de que a organização enfrenta um risco real de “colapso financeiro iminente”, devido ao não pagamento de quotas obrigatórias e a regras orçamentais que obrigam a devolver verbas não utilizadas, segundo uma carta enviada aos embaixadores e consultada pela agência Reuters.

Na missiva, datada de 28 de janeiro, Guterres afirma que a crise financeira das Nações Unidas se está a agravar rapidamente. “A crise está a aprofundar-se, ameaçando a execução dos programas e colocando em risco um colapso financeiro. E a situação irá deteriorar-se ainda mais num futuro próximo”, escreveu o responsável máximo da ONU.

De acordo com o secretário-geral, algumas decisões recentes de Estados-membros agravaram de forma significativa a situação financeira da organização. Na carta, Guterres refere que “decisões de não cumprimento das contribuições avaliadas que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado foram agora formalmente anunciadas”.

Não é especificado no documento a que países se refere, e um porta-voz das Nações Unidas não prestou esclarecimentos adicionais, segundo a Reuters.

A ONU enfrenta atualmente uma grave crise de tesouraria, num contexto em que o seu maior contribuinte financeiro, os Estados Unidos, reduziu drasticamente o financiamento voluntário às agências das Nações Unidas e se recusou a efetuar pagamentos obrigatórios para o orçamento regular e para as operações de manutenção da paz.

António Guterres alerta que, mantendo-se o atual cenário, as reservas financeiras da organização poderão esgotar-se em poucos meses. Na carta enviada aos representantes diplomáticos, o secretário-geral avisa que os fundos disponíveis podem terminar já em julho, colocando em causa o funcionamento básico da ONU e a continuidade de vários programas.

Perante este cenário, Guterres deixa um aviso claro aos Estados-membros: “Ou todos os Estados-membros cumprem as suas obrigações de pagamento, integralmente e atempadamente, ou os Estados-membros terão de reformular profundamente as nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente.”

Além do incumprimento das quotas obrigatórias, o secretário-geral aponta ainda para o impacto negativo das atuais regras financeiras da organização, que obrigam à devolução de verbas não utilizadas no final dos exercícios orçamentais, reduzindo a margem de manobra da ONU num contexto de forte pressão financeira.

O alerta surge numa altura particularmente sensível para as Nações Unidas, numa conjuntura internacional marcada por conflitos armados, crises humanitárias e crescentes exigências sobre a capacidade de resposta do sistema multilateral.

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