As tarifas anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações provenientes de oito países europeus, incluindo Alemanha, França, Reino Unido, Países Baixos, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega, podem desencadear um conflito comercial global e aumentar a volatilidade nos mercados financeiros.
No sábado, 17 de janeiro, Trump anunciou um aumento de 10 pontos percentuais nas tarifas, a aplicar a partir de 1 de fevereiro, elevando-as para 20% no caso do Reino Unido e 25% nos restantes países, numa medida ligada à sua intenção de adquirir a Gronelândia. Caso a aquisição não se concretize até junho, as tarifas poderiam subir mais 15 pontos percentuais.
Segundo Christian Schulz, Chief Economist da Allianz Global Investors, “os mercados financeiros serão um indicador crucial para perceber se a confrontação se dilui rapidamente ou se se transforma num choque económico destabilizador”.
O anúncio levanta ainda dúvidas práticas sobre a aplicação das tarifas, nomeadamente sobre a legalidade da medida e a complexidade de impor tarifas a membros de uma união aduaneira e de um mercado único, como é o caso da União Europeia.
Risco de retaliação europeia
O risco de retaliação por parte da Europa é elevado. Dinamarca mantém-se firme na defesa da Gronelândia, enquanto líderes europeus já investiram capital político significativo na questão. Uma eventual resposta da União Europeia e do Reino Unido poderia incluir tarifas retaliatórias de até 93 mil milhões de euros ou o recurso ao Instrumento Anti-Coerção da UE, permitindo medidas assimétricas contra empresas norte-americanas na Europa.
Uma escalada poderia evoluir rapidamente, com os EUA a aumentarem tarifas ou a restringirem apoio militar à Ucrânia, e a Europa a mobilizar aliados globais, transformando a disputa numa guerra comercial global com impacto potencial numa recessão mundial.
Impacto económico e respostas monetárias
Para os países europeus afetados, as exportações para os EUA representam cerca de 3% do PIB, podendo uma guerra comercial reduzir o crescimento em 0,2% a 0,3%. Para os EUA, o impacto direto seria limitado, embora a confiança empresarial e o investimento possam sofrer.
Se a UE retaliar, o choque poderia tornar-se stagflacionário, forçando bancos centrais a repensar políticas monetárias. A Reserva Federal poderia ver restringida a margem para cortes de taxas devido a pressões inflacionárias, enquanto o Banco Central Europeu poderá enfrentar a necessidade de apertar a política monetária, aumentando o risco de desaceleração económica.
Mercados financeiros em alerta
A reação dos mercados será determinante. Se os investidores acreditarem que a Europa cederá, o custo económico para os EUA poderá ser limitado. Mas uma resposta mais negativa poderá pressionar a administração norte-americana a recuar. Entre os ativos, metais preciosos e possivelmente o iene poderão funcionar como “porto seguro”, dado que nem o dólar nem o euro se mostrariam confiáveis em caso de escalada.
Segundo a AllianzGI, “o risco de uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo é agora significativamente superior ao período pós-“Liberation Day”, podendo pesar fortemente sobre ações de empresas europeias expostas ao mercado norte-americano e sobre empresas de serviços dos EUA dependentes do mercado europeu”.














