Com o encerramento de quatro salas de cinema, Guarda, capital de distrito, fica sem exibição comercial, regular e diária de cinema, num cenário semelhante ao que já acontece em Bragança, Beja e Portalegre.
As quatro salas de cinema, encerradas depois do natal, eram operadas pela exibidora Cineplace no centro comercial La Vie, pelo que, nesta cidade, a oferta de programação de filmes fica reduzida ao Teatro Municipal da Guarda.
Contactada pela Lusa, a administração do La Vie lamentou o encerramento das salas, dizendo que estaria a estudar “novas soluções e conceitos” para “responder às expectativas da comunidade local”.
A propósito deste encerramento, o jornal Todas As Beiras lembra hoje que as quatro salas funcionavam desde 2008, data de abertura do centro comercial, e foram exploradas pela NOS Lusomundo Cinemas até 2016, reabrindo depois pela Cineplace.
Em 2006, encerrou igualmente o Cine-Estúdio Oppidana na Guarda, capital de um distrito da beira interior, com cerca de 142 mil habitantes.
De acordo com dados estatísticos da exibição de cinema, reunidos regularmente pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), até novembro de 2025, a exibição de cinema no distrito da Guarda acontecia em 12 salas, das quais quatro eram da Cineplace e as restantes são, na maioria, de gestão municipal, em cineteatros, auditórios e casas de cultura.
Nestes casos, as sessões de cinema fazem parte de uma programação cultural mais alargada, a par de concertos, peças de teatro ou outras expressões artísticas.
Os dados do ICA indicam que em 2025 a exibição de cinema contou com 34.193 espectadores no distrito da Guarda, com uma ligeira quebra em relação aos 37.911 espectadores somados em 2024.
A título de exemplo, só na cidade da Guarda, exibição nas quatro salas da Cineplace representou, em 2024, a maioria da estatística de exibição do distrito, com 30.784 entradas. O Teatro Municipal da Guarda programou, em 2024, sete sessões de cinema, vistas por 220 espectadores.
No distrito da Guarda, há oferta de cinema, nestes moldes, em Gouveia, Manteigas, Seia, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo.
Atualmente, o panorama da exibição de cinema no país é aferido através da informação estatística produzida pelo ICA, a partir dos dados informatizados de bilheteira que são reportados pelas salas e exibidoras, sejam empresas, autarquias, cineclubes ou outras associações.
Na análise global ao país, os dados são necessariamente parciais, porque há concelhos que não transmitem dados informatizados ao ICA, ou seja, podem ter algum tipo de oferta de cinema em equipamentos culturais municipais, mas a informação não chega àquele instituto.
Em setembro, quando a agência Lusa noticiou vários encerramentos de salas e pedidos de desafetação de atividade cinematográfica, fonte do ICA explicava que “existem recintos que abrem, outros que fecham algumas salas, salas que apenas transmitem os seus dados de bilheteira no final do ano, entre outros aspetos, pelo que podem não estar refletidos nos apuramentos intermédios”.
Até novembro de 2025, o setor da exibição de cinema contava com 565 salas, das quais 169 situam-se na região de Lisboa, 172 na região Norte e 123 na região Centro. As restantes estão distribuídas pela região do Algarve (34), Alentejo (41), Madeira (16) e Açores (10).
Faltando apurar dezembro, o ICA contabilizou, em 2025, 9,6 milhões de espectadores e 61,9 milhões de euros de receita, sendo certo que representará uma quebra face a 2024, ano em que a exibição de cinema teve 11,8 milhões de entradas e 73,3 milhões de euros bilheteira.
A par dos distritos de Guarda, Beja, Portalegre e Bragança, Viana do Castelo corre o risco de também perder a exibição comercial de cinema, uma vez que o Ministério da Cultura autorizou em 2025 um pedido de desafetação de atividade das quatro salas do Estação Viana Shopping, exploradas pela Cineplace.
A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou em novembro a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema e o encerramento de salas no país.
Em dezembro, a ministra disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria “olhar para o histórico dos últimos três anos” sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.














