Grupo neonazi planeou vídeo sobre Maomé para provocar comunidade muçulmana

O líder do grupo neonazi 1143 planeou a divulgação de um vídeo com o objetivo de provocar reações violentas na comunidade muçulmana em Portugal, criando um clima de caos que pudesse legitimar atos de retaliação e reforçar discursos xenófobos e racistas.

Revista de Imprensa
Janeiro 22, 2026
10:52

O líder do grupo neonazi 1143 planeou a divulgação de um vídeo com o objetivo de provocar reações violentas na comunidade muçulmana em Portugal, criando um clima de caos que pudesse legitimar atos de retaliação e reforçar discursos xenófobos e racistas. O plano, que acabou travado por uma operação da Polícia Judiciária (PJ), previa a publicação do conteúdo em fevereiro e a sua disseminação nas redes sociais e junto da comunicação social.

Segundo o Jornal de Notícias (JN), Mário Machado pretendia apresentar o profeta Maomé como pedófilo, num vídeo concebido para causar choque e indignação. A investigação indica que a divulgação estaria a cargo de José Luís Soares, através da rede social X, e que o conteúdo seria posteriormente enviado a vários jornalistas “para causar impacto”. As autoridades acreditam que o objetivo central era provocar reações inflamadas da comunidade muçulmana, prejudicar a sua imagem pública e criar um pretexto para ações de confronto.

O plano foi discutido a 11 de novembro do ano passado, quando Mário Machado, a partir do Estabelecimento Prisional de Alcoentre, contactou telefonicamente Gil Costa, conhecido como “Pantera”. Nessa conversa, o líder dos 1143 detalhou a ideia do vídeo e o momento escolhido para a sua divulgação, apontando fevereiro como o período ideal para maximizar o impacto e a reação pública ao conteúdo ofensivo.

Para além do vídeo, a investigação revela que o grupo preparava uma segunda ação provocatória. Por indicação de Mário Machado, estava prevista a exibição de “uma bandeira gigante do profeta Maomé, com o turbante e com a bomba”, durante uma manifestação marcada para 10 de junho, em Coimbra. Tal como no caso do vídeo, o objetivo seria desencadear reações exaltadas e alimentar um clima de instabilidade e confronto social.

A operação da PJ que desmantelou o grupo impediu a concretização destes planos. Esta quarta-feira, 37 arguidos foram presentes a tribunal, em Lisboa, para identificação, estando os interrogatórios judiciais marcados para esta quinta-feira. A investigação prossegue, com as autoridades a considerarem que o grupo tinha uma estratégia deliberada de provocação religiosa para fomentar o ódio e a violência.

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