O grupo europeu Euronext, que detém a bolsa de Lisboa, admitiu à negociação bolsista 76 novas empresas em 2025, das quais quatro em Portugal, disse hoje a presidente do Conselho de Administração da Euronext Lisbon, Isabel Ucha.
Numa conferência de imprensa de balanço sobre a atividade em 2025 e perspetivas para 2026, a gestora disse que “o grupo Euronext foi, mais uma vez, em 2025, a bolsa que atraiu mais empresas para o mercado, com um terço da quota de mercado à escala europeia, 76 novas admissões”.
Destas, 14 são empresas estrangeiras, que estão localizadas fora dos mercados operados pela Euronext, disse.
Das quatro novas admitidas na Bolsa de Lisboa, três são do setor imobiliário e uma de investimento, disse.
“A capitalização bolsista aumentou 11%, em boa parte por via da valorização das próprias ações”, com o índice português PSI a registar “um dos melhores desempenhos da Europa, e um dos melhores desempenhos até à escala mundial”, afirmou.
Questionada se a bolsa portuguesa desistiu de atrair empresas da economia produtiva, dados os setores de atividade das quatro novas empresas que passaram a estar cotadas, a presidente executiva disse que a bolsa recebe as empresas que querem aderir e que têm condições para tal.
“Tratamos todos os setores da mesma forma, nem desistimos de setores com grande potencial”, designadamente industrial em Portugal, respondeu.
Além da entrada de quatro empresas, houve uma outra empresa que subiu de segmento, “o que também é um elemento positivo a registar”, salientou a gestora.
Os investidores de retalho representam 18% dos volumes diários de negociação das ações na Euronext Lisbon, percentagem que Isabel Ucha rejeitou “de todo” ser “demasiado elevada”, sublinhando que, por exemplo, em Itália, um mercado dinâmico, esse peso é de 25%.
A presença de investidores pequenos “aumenta a liquidez, a dinâmica”.
“Haver ordens mais pequenas permite acolher mais investidores individuais, o que é algo que interessa aos investidores institucionais, que “gostam de um mercado mais diversificado, não gostam de negociar só grandes blocos entre eles”, sustentou a presidente executiva.
“É da diversidade que surge mais liquidez e uma formação de preço mais sólida, porque reflete mais opiniões e mais escrutínio sobre os títulos que estão a ser negociados”, salientou.
“Se queremos alargar a dimensão do mercado, temos que ter essa capacidade de acolher mais investidores”, disse.
Questionada quando é que a Impresa deverá ser excluída do PSI na sequência da entrada dos acionistas italianos MFE — MediaForEurope no capital da dona da SIC (32,934%), a presidente executiva disse que não consegue dar uma informação relativamente a essa questão, afirmando que as empresas são excluídas “quando deixam de cumprir as condições” de liquidez.
Para 2026, Isabel Ucha disse que a empresa tem um plano de trabalho focado na aceleração de empresas portuguesas e na promoção do mercado.
Uma das iniciativas em que continuará a participar é no projeto Elite, uma rede europeia de empresas privadas que cujo objetivo é fazer crescer empresas que não estão no mercado de capitais, procurando formas alternativas de financiamento, disse.
Esta rede já tem 2.000 empresas, sendo que a maior parte tem entre 20 milhões de euros e 100 milhões de euros de volume de negócio, referiu.






