Governo vai acionar Mecanismo de Solidariedade da UE e suportar intervenções de emergência

A decisão foi divulgada pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, após a primeira reunião da estrutura de missão para a recuperação das zonas afetadas.

Executive Digest
Fevereiro 2, 2026
19:32

O Governo anunciou esta segunda-feira que irá acionar o Mecanismo de Solidariedade da União Europeia para fazer face aos prejuízos provocados pela depressão Kristin, que ascendem a cerca de dois mil milhões de euros. A decisão foi divulgada pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, após a primeira reunião da estrutura de missão para a recuperação das zonas afetadas.

O ministro explicou que o mecanismo europeu será solicitado, com um prazo de 12 semanas, para que seja realizado um levantamento exaustivo dos estragos. “Há 30 mil pessoas no terreno a trabalhar para dar a ajuda que as pessoas precisam”, sublinhou Castro Almeida, garantindo que a população está a receber assistência imediata enquanto o processo do mecanismo europeu decorre.

Intervenções de emergência financiadas pelo Estado

Castro Almeida destacou que o Executivo irá suportar as intervenções de emergência, incluindo obras urgentes para impedir o agravamento dos estragos, como a proteção de telhados danificados. “O Estado vai suportar essa parte para impedir o agravamento da situação, que já é de si grave”, afirmou. O ministro acrescentou que já estão planeadas obras urgentes financiadas pelo Estado, que arrancarão nos próximos dias.

A situação da eletricidade é particularmente preocupante, com quase 150 mil clientes ainda sem energia, sobretudo no distrito de Leiria. “É preciso pôr de pé milhares de postes de iluminação pública. Para darmos energia às pessoas é como levar eletricidade pela primeira vez a algumas povoações”, explicou o governante, adiantando que a recuperação completa de Leiria vai exigir vários meses de trabalho.

Combate à especulação e apoio às empresas

O ministro da Economia acrescentou que o Governo está a trabalhar junto das empresas para evitar a especulação de preços nos materiais de reparação e assegura empréstimos bonificados às empresas afetadas. Quanto à primeira resposta aos prejuízos, Castro Almeida indicou que será das seguradoras, com o Estado a garantir apoio financeiro adicional se necessário.

Proteção Civil e Mecanismo Europeu de Proteção Civil

O Governo decidiu não acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. José Manuel Moura, presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), explicou que este mecanismo não é adequado para fornecer materiais como telhas ou lonas, e que Portugal ainda não esgotou a sua capacidade de resposta. “Neste momento, todas as situações solicitadas foram correspondidas. Não temos nenhum meio para dizer à União Europeia que precisamos desta tipologia ou daquela. Isso são materiais que o país naturalmente tem de ter capacidade de resolver”, afirmou Moura.

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