Centeno afastado da corrida ao BCE, croata escolhido para vice-presidente

O Eurogrupo escolheu hoje o governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić, como vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), substituindo no cargo Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 19, 2026
18:24

O Eurogrupo escolheu hoje o governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić, como vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), substituindo no cargo Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.

Fontes europeias avançaram à agência Lusa que a escolha foi feita na terceira ronda, já composta por dois candidatos de entre seis iniciais, com Boris Vujčić a arrecadar o necessário apoio (de 72% dos Estados-membros da área da moeda única – ou seja, pelo menos 16 dos 21 países do euro -, representando pelo menos 65% da população), face ao governador do banco central da Finlândia e ex-comissário europeu para Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn.

A votação decorreu à porta fechada na reunião dos ministros das Finanças do euro (Eurogrupo), em Bruxelas, na qual Portugal estava representado pelo governante da tutela, Joaquim Miranda Sarmento.

Na segunda ronda de votações, o Governo português retirou a candidatura do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro Mário Centeno à vice-presidência do BCE, num esforço para consenso que levou à retirada dos menos votados.

A votação recaía, inicialmente, sobre seis candidaturas: a do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro das Finanças, Mário Centeno; do governador do banco central da Letónia, Mārtiņš Kazāks; do governador do banco central da Estónia, Madis Müller; do governador do banco central da Finlândia e ex-comissário europeu para Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn; do antigo ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Šadžius; e do governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić.

Na primeira ronda, que durou cerca de uma hora, a Lituânia e a Estónia retiraram os seus candidatos à vice-presidência do BCE.

Já na segunda, e também por angariar menos apoio, Portugal retirou a candidatura de Mário Centeno, assim como fez a Letónia com a do governador do banco central letão.

A terceira ronda foi disputada pelos candidatos da Croácia e da Finlândia, tendo ganhado o primeiro.

Na chegada à reunião, o ministro das Finanças português falou numa “eleição difícil”, indicando porém manter “alguma esperança” na candidatura apoiada por Portugal, a de Mário Centeno.

Segundo Joaquim Miranda Sarmento, esta era uma “eleição difícil pelas próprias regras”, dado ser exigida uma maioria reforçada qualificada, mas também pela questão do equilíbrio regional, já que “o atual ‘vice’ é “um espanhol” depois de um português e um grego, todos do sul da Europa, devendo ser dada oportunidade a candidatos de outras geografias.

Na sequência da discussão do Eurogrupo, o Conselho da União Europeia adotará uma recomendação ao Conselho Europeu (ao nível de líderes), deliberando por maioria qualificada reforçada dos países do euro.

Em conformidade com o processo de seleção, depois de dados estes passos, o BCE e o Parlamento Europeu serão consultados antes de o Conselho Europeu tomar uma decisão final.

Há cerca de uma semana, o Governo português decidiu apresentar formalmente a candidatura de Mário Centeno a vice-presidente do BCE.

Aos 59 anos, Mário Centeno foi, entre meados de 2020 e meados de 2025, governador do Banco de Portugal, depois de ter exercido funções como ministro português das Finanças entre 2015 e 2020. Foi nessas funções que se tornou presidente do Eurogrupo, o fórum informal da moeda única, entre 2018 e 2020.

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