Fumo branco ou preto? Esta é a explicação por trás do ritual mais antigo do Vaticano

O tradicional fumo preto ou branco que sai da chaminé da Capela Sistina durante a eleição de um novo papa é resultado de uma combinação de compostos químicos cuidadosamente preparada pelo Vaticano.

Executive Digest
Maio 2, 2025
18:29

O tradicional fumo preto ou branco que sai da chaminé da Capela Sistina durante a eleição de um novo papa é resultado de uma combinação de compostos químicos cuidadosamente preparada pelo Vaticano.

Durante o Conclave que vai eleger o próximo Papa, milhões de fiéis em todo o mundo vão acompanhar atentamente o momento em que a chaminé da Capela Sistina liberta a nuvem branca que anuncia: Habemus Papam.

Por trás desse símbolo sagrado, no entanto, está um processo profundamente terreno — e altamente químico. O fumo preto, que indica que os 115 cardeais ainda não chegaram ao consenso necessário de dois terços, e o branco, que revela a eleição do novo pontífice, são produzidos com recurso a compostos específicos que garantem a cor pretendida.

O uso do fumo no conclave remonta ao início do século XIX, quando as cédulas eram queimadas após cada votação. Inicialmente, a presença de fumaça indicava que não havia papa; a ausência de fumo sugeria o contrário. Desde 1914, a simbologia foi invertida: fumo preto significa que não houve consenso, e o branco assinala a eleição do novo papa.

Com a morte do Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, aos 88 anos, o conclave foi convocado, reacendendo a curiosidade sobre o funcionamento deste ritual.

Para garantir a clareza visual das cores, o Vaticano modernizou o processo. Até 2005, usava-se palha húmida e piche, o que frequentemente resultava em fumo acinzentado e ambíguo. Desde então, adotaram-se receitas químicas rigorosas.

O fumo preto é produzid através da queima de perclorato de potássio, antraceno e enxofre — substâncias que garantem uma nuvem densa e escura. Já o branco resulta da mistura de clorato de potássio, lactose (açúcar do leite) e resina de coníferas, conhecida como rosin.

O sistema atualmente em uso inclui aquecedores e ventiladores, que ajudam a manter o fluxo e a intensidade da emissão de fumo, evitando confusões visuais.

O Vaticano optou também por substâncias menos tóxicas, rejeitando, por exemplo, compostos usados em aplicações militares como hexacloroetano, prejudiciais ao fígado e ao sistema respiratório.

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