Frio extremo no carro: os mitos perigosos que continuam a pôr veículos em risco

Chegada da tempestade Ingrid à Península Ibérica, após a passagem do furacão Harry, criou um cenário meteorológico adverso marcado por chuva intensa, neve a cotas baixas e uma descida acentuada das temperaturas

Automonitor
Janeiro 23, 2026
20:00

A chegada da tempestade Ingrid à Península Ibérica, após a passagem do furacão Harry, criou um cenário meteorológico adverso marcado por chuva intensa, neve a cotas baixas e uma descida acentuada das temperaturas. As condições colocam em risco não apenas a circulação rodoviária, mas também a integridade mecânica dos veículos, alertam especialistas citados pelo ‘ABC’.

A entrada de uma massa de ar de origem ártica, associada a temperaturas negativas persistentes, aumenta a probabilidade de gelo nas estradas e agrava problemas comuns nos automóveis, desde falhas nas fechaduras até quebras de bateria. Perante este contexto, a Direção-Geral de Trânsito de Espanha recomenda o planeamento prévio das viagens e a verificação das previsões meteorológicas e do estado das vias antes de sair de casa.

Fechaduras presas: forçar é um erro comum

Um dos problemas mais frequentes durante períodos de frio intenso é o bloqueio de portas e fechaduras, causado pela acumulação de humidade que congela durante a noite. Perante esta situação, muitos condutores recorrem à força, puxando os manípulos ou tentando rodar a chave à pressão, um gesto que pode resultar em danos dispendiosos.

Segundo especialistas ouvidos pelo ‘ABC’, trata-se de um dos mitos mais persistentes: forçar resolve. Na realidade, essa prática tende a agravar o problema, podendo partir mecanismos internos ou cabos de abertura. A solução passa pelo uso de sprays descongelantes específicos ou pela aplicação de calor de forma controlada e segura, além da prevenção, através de coberturas protetoras que evitem a solidificação do gelo nas borrachas.

Vidros congelados: água quente e sal são falsas soluções

Os vidros e para-brisas são particularmente vulneráveis às baixas temperaturas e ao gelo matinal. Entre os métodos populares mais difundidos está o uso de água quente para derreter o gelo, uma prática que continua a ser encarada como eficaz por muitos condutores.

Os especialistas são claros: trata-se de um mito perigoso. O choque térmico provocado pela água quente sobre o vidro gelado pode causar fissuras imediatas ou mesmo a quebra do para-brisas. Também a aplicação de sal, outra solução improvisada comum, é fortemente desaconselhada, devido ao seu efeito corrosivo sobre as borrachas de vedação e as estruturas metálicas.

Da mesma forma, raspar o gelo com chaves ou objetos metálicos é uma prática que acaba frequentemente por riscar o vidro. A recomendação passa pelo uso de raspadores de plástico próprios ou por medidas preventivas simples, como cobrir o para-brisas durante a noite.

Bateria e consumo: os efeitos invisíveis do frio

Nem todos os danos provocados pelas temperaturas negativas são visíveis. O frio extremo afeta diretamente o desempenho da bateria e a eficiência do combustível. Quando os termómetros descem abaixo de zero, o consumo pode aumentar até 15%, devido à perda de eficiência térmica do motor.

Para contrariar este efeito, os especialistas aconselham a não ligar imediatamente sistemas como o aquecimento em potência máxima após o arranque e a manter o depósito de combustível o mais cheio possível. Esta prática reduz a presença de ar húmido no interior do depósito, evitando a condensação que pode contaminar o combustível e comprometer o processo de combustão.

Manutenção preventiva continua a ser a melhor defesa

Perante o agravamento das condições meteorológicas, a empresa Midas sublinha que a manutenção preventiva continua a ser a forma mais eficaz de proteger os veículos. Francisco Javier Fuentes, instrutor da Midas Espanha, destaca a importância de evitar soluções caseiras improvisadas e de recorrer a profissionais qualificados.

Para além de cuidados básicos, como a verificação dos níveis de anticongelante, o acompanhamento técnico especializado é considerado essencial para reduzir riscos num período em que o frio, o gelo e a humidade colocam à prova todos os componentes do automóvel.

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