Uma nova sondagem indica que a liderança histórica de Marine Le Pen na Frente Nacional, anteriormente conhecida como União Nacional, está a ser cada vez mais contestada dentro do próprio eleitorado do partido. Quase 70% dos simpatizantes da formação política consideram que Jordan Bardella, atual presidente do partido, seria um candidato presidencial mais forte do que a dirigente de longa data.
O inquérito, realizado pela empresa de estudos de opinião Odaxa e divulgado na quinta-feira à noite no jornal Le Figaro, surge num momento particularmente delicado para Le Pen, que tenta reverter uma proibição eleitoral de cinco anos que a afastou da corrida presidencial e compromete a sua capacidade de se candidatar às eleições do próximo ano.
Os dados agora revelados reforçam a perceção de que a candidatura de Le Pen à Presidência francesa enfrenta dificuldades crescentes, sobretudo devido ao processo judicial em curso. A sondagem foi conduzida após as recomendações de sentença apresentadas na terça-feira durante uma fase decisiva do recurso interposto por Le Pen, cujo desfecho deverá ser conhecido na próxima semana.
Dentro do partido, Bardella tem sido apontado como o chamado “plano B”, caso Le Pen fique impedida de concorrer. No entanto, o aumento da sua popularidade, aliado às incertezas legais que pesam sobre a líder histórica, está a forçar a Frente Nacional a equacionar uma mudança estratégica mais profunda: a possibilidade de Bardella passar de alternativa de recurso a principal candidato.
Eleitores acreditam que Bardella pode afirmar-se sem Le Pen
A sondagem revela ainda que 57% dos inquiridos acreditam que Bardella conseguiria “existir politicamente” sem depender da figura de Le Pen, atenuando receios de que o jovem dirigente não tivesse autonomia ou peso político suficiente sem o apoio da mentora.
Quando questionados diretamente sobre intenções de voto, 40% afirmaram estar a considerar votar em Bardella, enquanto 38% manifestaram preferência por Le Pen, colocando o presidente do partido ligeiramente à frente da líder histórica.
Bardella reafirma lealdade a Le Pen
Apesar dos números favoráveis, Bardella tem insistido publicamente na sua fidelidade a Le Pen. Nos últimos dias, tem procurado afastar qualquer perceção de rivalidade interna.
Na quinta-feira, declarou que Le Pen é “inocente” e expressou o desejo de que continue a ser a “porta-estandarte” da extrema-direita nas presidenciais de 2027.
Do lado de Le Pen, o discurso tem revelado um tom cada vez mais cauteloso. Embora tenha reiterado repetidamente a sua inocência e classificado as acusações como politicamente motivadas, no mês passado admitiu que, a ter ocorrido algum crime, este não teria sido cometido de forma intencional.
O veredicto do processo, que a própria dirigente reconheceu ser determinante para o seu futuro político, deverá ser conhecido antes do verão.
Com o calendário judicial a avançar e a base eleitoral a demonstrar crescente preferência por Bardella, a Frente Nacional enfrenta agora uma decisão estratégica crucial sobre quem deverá liderar a próxima tentativa de conquistar o Palácio do Eliseu.












