França deteta operação de desinformação para ligar Macron a Epstein

As autoridades francesas detetaram uma operação de desinformação, ligada à rede russa Storm-1516, destinada a fazer acreditar que o Presidente francês, Emmanuel Macron, esteve envolvido no caso Epstein, anunciou hoje uma fonte do Governo.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 6, 2026
13:35

As autoridades francesas detetaram uma operação de desinformação, ligada à rede russa Storm-1516, destinada a fazer acreditar que o Presidente francês, Emmanuel Macron, esteve envolvido no caso Epstein, anunciou hoje uma fonte do Governo.

A Viginum, serviço responsável pelo combate à interferência estrangeira online, detetou na quarta-feira esta operação, baseada na “criação de um site que usurpa a identidade do [jornal] France-Soir”, onde “foi publicado um artigo a acusar o Presidente da República, Emmanuel Macron, de estar envolvido no caso Epstein”, disse a fonte, confirmando informações do órgão francês BFMTV.

Esta informação falsa foi depois “amplificada na rede X”, acrescentou a fonte, citada pela agência AFP.

O France-Soir divulgou um alerta sobre o site falso, nas redes sociais na noite de quarta-feira.

“Alerta importante para os leitores do France-Soir. Aviso: falsificação de marca e conteúdo. O site http://france-soir.net não tem qualquer ligação com o France-Soir”, disse o jornal num comunicado publicado no X.

Segundo a fonte governamental, “a Viginum atribui a este site um elevado nível de confiança ao modus operandi informacional do CopyCop”.

O CopyCop está ligado a um antigo polícia norte-americano, John Mark Dougan, que está exilado na Rússia desde 2016.

No X, a primeira conta que publicou o vídeo é “@LoetitiaH, uma retransmissão histórica e frequente das operações informativas do Storm-1516”, disse a fonte.

O conteúdo de vídeo foi então “adotado e amplificado por muitas outras contas seguidas pela Viginum e provavelmente pago pelos operadores do modus operandi”, acrescentou o mesmo responsável do Governo francês.

No entanto, “visibilidade não significa impacto”, sublinhou a fonte, acrescentando que “esta operação é muito semelhante” ao que a rede Storm-1516 está habituada a fazer, “ao visar figuras políticas (incluindo o Presidente) e ao recuperar rapidamente acontecimentos atuais”.

O caso ligado ao pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein está a envolver outra figura em França: o antigo ministro francês Jack Lang e presidente, desde 2013, do emblemático Instituto do Mundo Árabe (IMA), terá de explicar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros as suas ligações ao criminoso norte-americano, que morreu na cadeia em 2019.

“Foi convocado pelo ministério e será recebido no domingo”, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot.

Apesar das pressões para se demitir da liderança do instituto, Jack Lang tem recusado deixar o cargo, citando a sua “ingenuidade” perante as revelações sobre os seus laços passados com Jeffrey Epstein, com a publicação de milhões de documentos a 30 de janeiro pelo sistema judicial norte-americano.

O executivo francês disse na quinta-feira à noite que deveria “pensar na instituição” do IMA.

O instituto recebe uma subvenção anual de 12,3 milhões de euros do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, metade do orçamento do organismo.

Depois de declarar na segunda-feira que “assume plenamente laços passados” com o financeiro norte-americano, Jack Lang assegurou na quarta-feira que nada sabia do passado criminoso deste homem quando o conheceu “há cerca de 15 anos” através do realizador Woody Allen.

Não existem acusações contra Jack Lang e a sua presença nestes três milhões de documentos não implica qualquer irregularidade da sua parte.

Mas a menção do nome do antigo ministro francês por 673 vezes e os seus laços de interesse com o Epstein tiveram impacto, incluindo para a sua filha Caroline, que no início da semana se demitiu do cargo de presidente de um sindicato de produtores de cinema após revelações sobre uma empresa “offshore” que fundou em 2016 com o empresário norte-americano.

Nas fileiras políticas, os apelos à saída de Jack Lang continuam a multiplicar-se, inclusive no seu próprio campo, nomeadamente dos Verdes e dos socialistas.

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