Fórum Económico Mundial avalia abandonar Davos após quase 60 anos: que cidades podem vir a acolher encontro de elites?

A liderança do Fórum Económico Mundial (FEM) está a avaliar uma eventual mudança de local do seu encontro anual, perante receios de que Davos tenha ultrapassado a sua capacidade logística e estratégica

Francisco Laranjeira
Janeiro 21, 2026
13:26

A liderança do Fórum Económico Mundial (FEM) está a avaliar uma eventual mudança de local do seu encontro anual, perante receios de que Davos tenha ultrapassado a sua capacidade logística e estratégica. A hipótese está a ser discutida internamente por altos responsáveis da organização, incluindo Larry Fink, presidente do conselho de administração da BlackRock e copresidente interino do FEM.

De acordo com o jornal espanhol ‘Expansión’, Fink abordou em conversas privadas a possibilidade de transferir a cimeira para outra cidade ou de adotar um modelo de sedes rotativas. Entre os locais considerados surgem cidades como Detroit e Dublin, numa tentativa de reformular um evento cada vez mais criticado por ser excessivamente elitista e afastado da realidade económica e social contemporânea.

Larry Fink defende um fórum mais próximo “onde o mundo moderno está a ser construído”

Segundo quatro fontes citadas pelo ‘Expansión’, Larry Fink pretende alargar o acesso ao fórum para além do núcleo tradicional de líderes políticos e empresariais. Numa publicação recente no seu blogue, defendeu que o FEM deve “começar a fazer algo novo: estar presente — e ouvir — nos locais onde o mundo moderno está a ser construído”. “Davos, sim. Mas também lugares como Detroit e Dublin, e cidades como Jacarta e Buenos Aires”, escreveu.

Apesar desta visão reformista, a liderança do fórum continua a reafirmar Davos, a estância alpina suíça que acolhe o encontro anual há quase 60 anos, como o seu lar espiritual e prático. Ainda assim, os desafios crescentes associados à localização são reconhecidos internamente.

Capacidade esgotada, custos elevados e pressão logística

Um alto executivo citado afirmou que o FEM “ultrapassou” a sua capacidade atual, relatando ter ficado preso durante três horas e meia num engarrafamento para chegar à estância onde decorre a cimeira. O evento, que começou como um clube restrito das elites empresariais europeias, transformou-se numa reunião global de grande escala.

Atualmente, a cimeira de cinco dias atrai dezenas de milhares de participantes, incluindo chefes de Estado, líderes empresariais, representantes da sociedade civil e numerosos eventos paralelos organizados por Governos, empresas e grupos de pressão ao longo das ruas de Davos. “Foi vítima do seu próprio sucesso”, resumiu uma fonte próxima das negociações.

Os responsáveis do FEM reconhecem problemas como a escassez de alojamento, os elevados custos de segurança e a limitação da infraestrutura física, num ano que já registou um recorde de assistência. A chegada do presidente americano, Donald Trump, deverá agravar ainda mais a pressão logística.

Resistência suíça e mudanças na liderança

Segundo um membro do fórum, é importante para o Governo suíço que o FEM permaneça associado ao país, sendo a manutenção do evento na Europa uma prioridade para muitos dirigentes. O Governo suíço e algumas das principais empresas nacionais deverão opor-se firmemente a qualquer mudança de local, tendo um representante do FEM alertado que tal decisão “criaria obstáculos” e que qualquer alteração “não seria definitiva”.

O debate coincide com uma fase de transição na liderança do fórum. Após mudanças na direção, Larry Fink e André Hoffmann, vice-presidente da Roche, deverão assumir a presidência interina do conselho de administração em agosto.

O fundador do FEM, Klaus Schwab, demitiu-se em abril último na sequência de alegações de irregularidades financeiras e problemas de governação. Embora uma investigação tenha ilibado Schwab de conduta criminosa, o episódio marcou uma viragem na história da organização e reforçou a reflexão interna sobre o futuro do fórum e a sua relevância.

Esta não é a primeira vez que se equaciona a mudança do local das reuniões anuais. O próprio Schwab terá considerado seriamente, no passado, a transferência da sede do fórum para o Dubai. Oficialmente, contudo, o FEM continua a defender Davos, sublinhando o seu valor histórico e o impacto económico positivo para a região.

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