O Fórum Económico Mundial (FEM) confirmou a abertura de uma investigação independente ao seu presidente e diretor executivo, Børge Brende, depois de terem vindo a público detalhes sobre a sua relação com Jeffrey Epstein, o financiador norte-americano condenado por crimes sexuais.
A decisão surge na sequência da divulgação de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que revelam encontros presenciais e comunicações entre ambos. A organização com sede em Davos reconheceu que Brende participou em “três jantares de negócios com Jeffrey Epstein, juntamente com subsequentes comunicações por email e SMS”.
Børge Brende, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, encontrou-se com Epstein em três ocasiões distintas, entre 2018 e 2019, tendo ainda trocado mensagens de texto e emails.
Segundo a informação conhecida, o primeiro jantar decorreu em 2018, na residência de Epstein em Nova Iorque, num encontro que reuniu diplomatas e líderes empresariais. Antes dessa reunião, ambos discutiram por mensagem o futuro do encontro anual de Davos, com Epstein a defender que o evento suíço “pode realmente substituir a ONU”.
Os dois voltariam a jantar juntos em junho de 2019, apenas algumas semanas antes de Epstein ser detido pelas autoridades federais norte-americanas.
Negação inicial e posterior admissão
Ainda em novembro passado, Brende tinha negado qualquer contacto com Epstein. No entanto, após a divulgação dos novos documentos, acabou por reconhecer que o conhecia.
Em declarações, o responsável afirmou ter estado “completamente inconsciente do passado e das atividades criminosas de Epstein”, assegurando que teria recusado qualquer convite ou comunicação caso tivesse conhecimento do historial do financista.
Brende admitiu ainda falhas na verificação prévia: “Reconheço que poderia ter conduzido uma investigação mais aprofundada sobre o histórico de Epstein, e lamento não o ter feito.”
Foi o próprio dirigente quem solicitou a abertura de uma revisão independente, estando, segundo o FEM, a cooperar com o processo.
Tentativas de influência sobre Davos
Os documentos agora revelados indicam também que Epstein tentou utilizar a relação com Brende para influenciar convites para o Fórum de Davos.
Numa troca de emails em 2018 com o antigo secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers, Epstein ofereceu-se para “perguntar” ao seu “bom amigo” Brende sobre a possibilidade de convite, depois de Summers se queixar de não ter sido chamado ao evento nesse ano.
O Fórum Económico Mundial sublinhou que Brende continuará a exercer funções de presidente e CEO durante o inquérito, mas sem qualquer envolvimento no processo de revisão.
A organização justificou a abertura da investigação como uma forma de reforçar padrões éticos e institucionais, afirmando que a decisão “sublinha o compromisso do Fórum com a transparência e a manutenção da sua integridade. O nosso objetivo é tratar este assunto de forma ponderada e eficiente.”
O episódio surge numa fase delicada para o FEM. Brende assumiu a condução da instituição depois de o fundador Klaus Schwab ter abandonado funções, em abril de 2025, na sequência de denúncias internas relacionadas com a gestão do fórum. Uma investigação subsequente concluiu não existirem “provas de irregularidades materiais”.
A organização ainda não nomeou um presidente permanente, estando atualmente o diretor executivo da BlackRock, Larry Fink, a desempenhar funções como co-presidente interino.




