O salário médio líquido mensal dos profissionais das Forças Armadas subiu 19% no último ano, um aumento equivalente a 286 euros, segundo cálculos baseados em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este crescimento elevou a remuneração média no setor para 1.802 euros por mês, aproximando-se dos 2.060 euros recebidos, em média, por políticos e gestores de topo no setor público e privado. Em contraste, o salário médio líquido para o conjunto da economia subiu 7% — mais 86 euros — atingindo 1.264 euros no segundo trimestre de 2025.
De acordo com o Diário de Notícias, a tutela da Defesa atribui esta evolução a um conjunto de medidas tomadas pelo atual Governo PSD-CDS, incluindo aumentos salariais, reforço do suplemento de condição militar e outros subsídios específicos. “O quadro das rubricas remuneratórias aumentou muito, entre salários, suplemento da condição militar e outros suplementos”, referiu fonte oficial do Ministério da Defesa. Este suplemento passou de 100 euros em janeiro de 2025 para 350 euros, estando previsto que alcance 400 euros em janeiro de 2026. A valorização das carreiras teve início ainda sob o anterior Governo do PS, que já havia elevado o suplemento de 30 para 100 euros e introduzido medidas para melhorar a progressão na Defesa Nacional.
O aumento também reflete a redução da carga fiscal em sede de IRS, com impacto significativo nos salários líquidos, sobretudo para praças e a maioria dos sargentos. “O efeito da nova tabela de IRS certamente se reflete na categoria de praças e da maioria dos sargentos”, acrescentou a mesma fonte, explicando que, ao longo de dois anos, a remuneração líquida dos militares cresceu 40%. Foram ainda aplicadas revisões na estrutura remuneratória para praças, sub-sargentos e segundos sub-sargentos, com implementação faseada até janeiro de 2026, além de melhorias nos suplementos de residência, embarque, serviço aéreo e desativação de engenhos explosivos. Foi igualmente criado um mecanismo de compensação por invalidez ou morte em serviço.
No conjunto da economia, os salários líquidos têm registado aumentos generalizados, impulsionados pela valorização do salário mínimo nacional, que subiu de 705 euros no final de 2022 para 870 euros brutos, representando um aumento acumulado de 23% (165 euros). Segundo o primeiro-ministro Luís Montenegro, mais de 20% dos trabalhadores por conta de outrem — cerca de um milhão de pessoas — aufere o salário mínimo. Esta evolução, combinada com revisões salariais, contratação coletiva e medidas fiscais, tem contribuído para que o salário médio líquido atinja máximos históricos.
O emprego também atingiu valores recorde, com quase 5,3 milhões de pessoas empregadas no segundo trimestre de 2025, mais 148 mil do que no mesmo período do ano anterior, representando uma subida de 2,9%, a maior desde o final da pandemia. Dois grupos profissionais destacaram-se na criação de postos de trabalho: “trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores”, com cerca de 85 mil novos empregos, e “especialistas das atividades intelectuais e científicas”, com mais de 64,3 mil. Estes ganhos compensaram as perdas noutras áreas, como agricultura, direção executiva e operação de máquinas.
De acordo com as séries históricas do INE, o salário líquido médio nacional tem vindo a crescer de forma consistente desde o final do programa de ajustamento da troika, mas as subidas aceleraram com as medidas de alívio no IRS. No último ano, a taxa de crescimento variou entre 7% e mais de 12% por trimestre, confirmando uma tendência de reforço do rendimento disponível das famílias e de valorização salarial transversal à economia.














