Vários aeroportos europeus estão a eliminar o histórico limite de 100 mililitros para líquidos na bagagem de cabine, permitindo agora transportar recipientes até dois litros, graças à instalação de novos scanners de segurança com tecnologia de tomografia computorizada (CT). A mudança marca o início do fim de uma regra em vigor desde 2006 e resulta da capacidade destes equipamentos para gerar imagens tridimensionais de alta resolução, capazes de detetar explosivos sólidos e líquidos sem necessidade de restrições tão severas.
Segundo a Euronews, a Comissão Europeia já indicou que a eliminação generalizada do limite dos 100 ml em todo o espaço comunitário está em preparação, embora a implementação dependa da modernização dos controlos de segurança em cada aeroporto. Por enquanto, a aplicação é desigual e, na maioria dos casos, limitada a determinados corredores de segurança ou a passageiros específicos, o que obriga os viajantes a confirmarem as regras antes de fazerem a mala.
No Reino Unido, a adoção é uma das mais avançadas da Europa. O aeroporto de Londres Heathrow, o mais movimentado do continente, passou recentemente a permitir líquidos até dois litros em todos os seus terminais, juntando-se a Gatwick, Birmingham, Belfast e Edimburgo. Em Stansted, Londres City e Luton, embora o limite ainda não tenha sido oficialmente elevado, já não é necessário retirar os líquidos da bagagem nem colocá-los em sacos de plástico separados.
Na Alemanha, a aplicação é parcial. Em Munique, apenas 15 corredores de segurança no Terminal 2 e cinco no Terminal 1 permitem recipientes até dois litros, enquanto os restantes continuam sujeitos à regra dos 100 ml por falta de scanners CT. Situação semelhante verifica-se em Frankfurt, onde apenas alguns pontos de controlo já utilizam a nova tecnologia. Em Berlim Brandemburgo, o limite alargado aplica-se a 24 corredores, mas as autoridades recomendam prudência e mantêm o conselho de respeitar os 100 ml para garantir um processo mais fluido, estando prevista a renovação dos restantes controlos ao longo de 2026.
Em Itália, o levantamento do limite está em curso sobretudo no norte e centro do país. Já é possível viajar com líquidos até dois litros nos aeroportos de Milão Linate, Bolonha, Roma Fiumicino, Milão Malpensa (apenas no Terminal 1) e Turim, embora neste último caso a regra se aplique apenas a passageiros fast-track. A mudança surge numa altura estratégica, tendo em conta o aumento esperado de tráfego com os Jogos Olímpicos de Inverno.
Outros aeroportos europeus onde o limite foi elevado incluem Dublin, Praga (Terminal 2), Vilnius e Kaunas, na Lituânia, Cracóvia e Poznań, na Polónia, Cluj, na Roménia, Billund, na Dinamarca, e Malta. Em contraste, grandes hubs como Amesterdão Schiphol e Barcelona El Prat afirmam seguir as orientações europeias, mas não esclarecem se planeiam permitir líquidos até dois litros num futuro próximo.
Em Bruxelas, Paris, Marselha, Madrid, Atenas e Lisboa, a regra dos 100 ml mantém-se. Atenas prevê introduzir os novos scanners apenas no início de 2027, após a conclusão das obras de expansão do aeroporto Eleftherios Venizelos, enquanto os aeroportos parisienses apontam para 2030 como horizonte para estarem totalmente preparados. Até lá, a recomendação para os passageiros é clara: verificar antecipadamente as regras específicas do aeroporto e, sempre que haja dúvida, continuar a respeitar o limite tradicional dos 100 mililitros.














