Ficção científica ou realidade? Governo britânico planeia implantar chips de IA em criminosos para prever os seus crimes

Executivo liderado por Keir Starmer reuniu-se com mais de duas dúzias de empresas de tecnologia em Londres no mês passado

Francisco Laranjeira
Julho 4, 2025
12:35

O Governo britânico quer reduzir o número de pessoas presas e melhorar a monitorização dos que cumprem pena fora da prisão: o Executivo liderado por Keir Starmer reuniu-se com mais de duas dúzias de empresas de tecnologia em Londres no mês passado, indicou o jornal ‘The Guardian’, e foram discutidos várias propostas futurísticas, entre as quais chips com IA capazes de prever crimes, robôs para transportar prisioneiros e até supercomputadores para analisar dados históricos para prever comportamentos criminosos.

Uma dessas opções é inserir chips sob a pele que permitiriam o rastreamento de criminosos em tempo real, algo que gerou muita controvérsia devido ao seu impacto nos direitos humanos e na privacidade. A ministra da Justiça, Shabana Mahmood, reuniu-se com mais de 20 grandes empresas de tecnologia, como Google, Amazon, Microsoft, IBM e Palantir, além de empresas especializadas em biometria e operadoras de prisões privadas, como a Serco, num encontro organizado pela associação Tech UK.

Shabana Mahmood é a força motriz por trás deste plano e apelou às empresas para que trabalhem em conjunto com o Governo para modernizar a vigilância de criminosos e facilitar esse processo. James Timpson, ministro das Prisões, argumentou que o sistema de justiça deve aproveitar a tecnologia para se tornar ainda mais eficaz, mas, como esperado, essas propostas levantaram preocupações entre as organizações de direitos civis.

Donald Campbell, da associação Foxglove, afirmou que esse tipo de ideia é preocupante e alertou que o Governo pode estar a ceder poder demais às grandes empresas de tecnologia, salientando que tentar prever crimes com IA não é confiável. Em resposta, o ministro afirmou que, por enquanto, essas são apenas propostas hipotéticas destinadas a abrir um debate sobre como lidar com a crise no sistema prisional.

O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou em janeiro último que a iIA poderia transformar os serviços públicos, recomendando a expansão do uso dessas tecnologias de reconhecimento facial em espaços públicos para fortalecer a segurança.

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