Feta em risco? Famoso queijo vai disparar de preço devido ao abate de milhares de cabras e ovelhas na Grécia

A Grécia enfrenta uma crise sanitária e económica de grande dimensão no sector agropecuário, com cerca de meio milhão de ovelhas e cabras abatidas devido à propagação da varíola ovina e caprina, detetada desde agosto de 2024.

Pedro Gonçalves
Janeiro 29, 2026
15:27

A Grécia enfrenta uma crise sanitária e económica de grande dimensão no sector agropecuário, com cerca de meio milhão de ovelhas e cabras abatidas devido à propagação da varíola ovina e caprina, detetada desde agosto de 2024. A gravidade da situação ficou marcada, em janeiro, pelo suicídio de um criador de gado de 52 anos, no município de Vrondú, na região de Pieria, após ter sido obrigado a proceder ao abate sanitário de cerca de mil animais. O irmão explicou que o agricultor “estava muito ligado a elas”, num episódio que evidencia o impacto humano da crise.

Desde o primeiro foco identificado no norte do país, a 21 de agosto de 2024, a doença espalhou-se rapidamente. Entre essa data e 19 de dezembro de 2025, foram confirmados 1.985 surtos em 2.449 explorações agrícolas, resultando no abate sanitário de 450.233 animais, segundo dados do Comité Científico Nacional para a Gestão e Controlo da Varíola Ovina e Caprina. Apesar da dimensão do problema, o Governo grego continua a rejeitar a vacinação, contrariando recomendações da Organização Mundial da Saúde Animal e da Comissão Europeia.

A decisão está diretamente ligada à proteção do queijo feta, um dos principais produtos de exportação do país. Cerca de 80% do leite de ovelha e cabra produzido na Grécia é destinado à produção de feta, sendo 65% dessa produção exportada. O queijo beneficia de denominação de origem protegida, o que implica regras rigorosas. A vacinação implicaria a perda do estatuto sanitário do país, podendo conduzir a restrições severas às exportações, com impacto num sector que, em 2024, gerou 785 milhões de euros em vendas ao exterior.

Perante a recusa da vacinação, as autoridades optaram pela estratégia de esvaziamento sanitário das explorações afetadas, que consiste no abate total dos efetivos onde é identificado um único caso, seguido de destruição controlada dos cadáveres e desinfeção das instalações. A Comissão Europeia alertou, numa carta enviada em outubro de 2025, que estas medidas “não são suficientes para travar a propagação da doença nem para reduzir o número de animais abatidos”. Ainda assim, Atenas mantém a estratégia, temendo que a vacinação coloque em risco não só o mercado da feta, mas também a exportação de animais vivos para países do Médio Oriente.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.