Festival Eurovisão lança primeira digressão internacional sob forte polémica

Digressão, de acordo com a ‘Euronews’, está prevista para junho e julho e contará com “intérpretes icónicos da Eurovisão e artistas de 2026”, segundo a União Europeia de Radiodifusão (EBU)

Francisco Laranjeira
Janeiro 16, 2026
14:25

O Festival Eurovisão da Canção vai assinalar o seu 70º aniversário com a primeira digressão internacional da história do concurso. O anúncio surge, no entanto, num momento de forte controvérsia, marcado por boicotes de vários países à edição de 2026 devido à participação de Israel, num contexto de guerra em Gaza.

A digressão, de acordo com a ‘Euronews’, está prevista para junho e julho e contará com “intérpretes icónicos da Eurovisão e artistas de 2026”, segundo a União Europeia de Radiodifusão (EBU). A iniciativa é apresentada como “uma celebração do legado do concurso, da sua comunidade global de fãs e de sete décadas de música inesquecível”.

De acordo com a EBU, os artistas irão interpretar as suas canções originais da Eurovisão, bem como versões de temas marcantes ao longo dos 70 anos do festival.

Dez cidades europeias na rota da digressão

A tournée passará por dez cidades europeias, incluindo Londres e Paris, entre 15 de junho e 2 de julho. A iniciativa acontece após a grande final do concurso, marcada para 16 de maio de 2026, em Viena, cidade anfitriã da próxima edição.

Apesar do caráter comemorativo, o anúncio da digressão ocorre num clima de tensão crescente em torno da competição, que enfrenta um dos períodos mais controversos da sua história recente.

Boicotes reduzem número de participantes

A polémica centra-se na participação de Israel, num contexto de conflito prolongado em Gaza. Até ao momento, cinco países anunciaram a retirada do concurso em protesto, reduzindo o número de participantes para 35 — o mais baixo desde a expansão do formato, em 2004.

A televisão pública irlandesa RTÉ justificou a decisão com “a terrível perda de vidas em Gaza e a crise humanitária em curso”. Espanha, Islândia, Países Baixos e Eslovénia seguiram o mesmo caminho em dezembro. Também o vencedor da edição de 2024, o artista suíço Nemo, devolveu o troféu como forma de protesto.

“A Eurovisão diz que defende a unidade, a inclusão e a dignidade para todos. Esses valores deram sentido a este concurso para mim”, escreveu Nemo no Instagram. “Mas a participação contínua de Israel, numa situação que a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU classificou como genocídio, revela um conflito claro entre esses ideais e as decisões da EBU.”

Artistas afastam-se do concurso

A controvérsia foi reforçada esta semana pela decisão de Conchita Wurst, vencedora da Eurovisão em 2014, de se afastar de todos os eventos ligados ao festival. Na sua declaração, assinada como “Tom”, a artista afirmou que o concurso “moldou a sua vida”, mas que chegou o momento de seguir outros caminhos profissionais.

“Enquanto artista, a mudança é a minha maior constante. A partir de agora, retiro-me do contexto da Eurovisão”, escreveu.

Também Johannes Pietsch, conhecido como JJ, vencedor da edição de 2025, gerou polémica ao defender inicialmente uma Eurovisão “sem Israel”, acabando mais tarde por pedir desculpa após a reação negativa aos seus comentários.

Acusações de falta de coerência à EBU

Embora a Eurovisão procure manter uma posição oficialmente apolítica, críticos acusam a EBU de incoerência. Recordam que a Rússia foi excluída do concurso após a invasão da Ucrânia, em 2022, e que a Bielorrússia foi afastada um ano antes, após a contestada reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

A 70ª edição do Festival Eurovisão da Canção está agendada para 16 de maio de 2026, em Viena, num contexto em que a celebração do legado do concurso é acompanhada por divisões profundas entre países, artistas e fãs.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.