A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) inicia esta terça-feira a primeira ronda de negociações com o Governo, num encontro considerado decisivo para avaliar o compromisso do executivo com o protocolo negocial assinado no início do mês. A reunião está marcada para as 16h00, no Ministério da Saúde, em Lisboa, e abre formalmente um novo ciclo negocial centrado nos salários, nas carreiras e nas condições de trabalho dos médicos.
De acordo com a Lusa, a Fnam entra nesta primeira reunião exigindo o cumprimento integral do protocolo assinado a 9 de janeiro, bem como um processo negocial que considere sério, transparente e calendarizado, permitindo avançar desde já com matérias consideradas prioritárias para a valorização da carreira médica e para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Este será também o primeiro encontro negocial liderado por André Gomes, novo presidente da Fnam, que assumiu funções no sábado, durante a reunião do Conselho Nacional da federação, realizada em Coimbra. Médico de saúde pública, André Gomes exerce funções na Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo e passa a presidir à estrutura no âmbito do princípio estatutário da rotatividade entre os três sindicatos que integram a federação.
Cumprimento do protocolo no centro das exigências
Em declarações à Lusa, a agora vice-presidente da Fnam, Joana Bordalo e Sá, sublinhou que esta reunião será determinante para aferir a vontade política do Governo. “Exigimos, acima de tudo, que este protocolo negocial seja cumprido. Exigimos um processo negocial que seja sério, que seja transparente, e esperamos que nesta primeira reunião tenhamos um calendário definido e possamos começar pela avaliação e progressão dos médicos”, afirmou.
Joana Bordalo e Sá, que presidiu à Fnam entre 2023 e 2025, reforçou que o protocolo incide fundamentalmente sobre salários e condições de trabalho, áreas que a federação considera urgentes para travar a saída de médicos do SNS e garantir a qualidade da resposta assistencial.
A dirigente sindical destacou ainda que continuam a ser reclamadas “matérias estruturais e centrais” para assegurar mais médicos no SNS. Entre as prioridades elencadas estão a reintegração do internato médico na carreira, a revisão da jornada semanal de trabalho, a reposição dos dias de férias perdidos, a proteção da parentalidade e a negociação de um regime de dedicação exclusiva opcional e devidamente valorizado.
“Nós entramos neste novo ciclo, neste novo triénio, com uma estabilidade interna, com uma experiência acumulada, e com foco total na defesa dos médicos e do SNS”, sublinhou Joana Bordalo e Sá, também presidente do Sindicato dos Médicos do Norte.
Liderança rotativa garante continuidade sindical
A nova comissão executiva da Fnam é composta por dez elementos, provenientes dos três sindicatos que integram a estrutura — Sindicato dos Médicos do Norte, Sindicato dos Médicos da Zona Centro e Sindicato dos Médicos da Zona Sul — mantendo o princípio de rotatividade na presidência. André Gomes, de 35 anos, assume agora a liderança enquanto presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul.
Segundo Joana Bordalo e Sá, a transição “cumpre uma regra, não apenas uma tradição”, salientando que “em cumprimento da regra da rotatividade, a presidência passa ao presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul”.
As vice-presidências ficam a cargo de Joana Bordalo e Sá e de Noel Carrilho, presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Centro, que liderou a federação entre 2020 e 2022. “A Fnam tem um princípio democrático, rotativo, que garante continuidade da ação sindical, assente num trabalho coletivo e numa liderança colegial”, frisou.
Natural de Lisboa, André Gomes apresenta um percurso marcado por uma forte participação associativa, cívica e política. Em 2021, foi candidato da Coligação Democrática Unitária (CDU) à Câmara Municipal de Santarém, experiência que a federação enquadra no seu perfil de envolvimento ativo na defesa de causas públicas.
A Fnam entra assim neste novo ciclo negocial com uma liderança renovada, mas com objetivos assumidos de continuidade, esperando que a reunião de hoje permita estabelecer um calendário claro e avanços concretos nas matérias consideradas essenciais para os médicos e para o SNS.






