Espanha: Hipermercados alertam para possível falta de alimentos nas prateleiras devido à tempestade Ingrid

A Associação Espanhola de Distribuidores, Autosserviços e Supermercados estima que cerca de 150 lojas na Galiza, Astúrias, Cantábria e no norte de Castela e Leão possam ser afetadas, numa fase em que ainda não se registava queda de neve

Francisco Laranjeira
Janeiro 23, 2026
13:06

O encerramento preventivo de estradas a veículos pesados numa vasta área do noroeste de Espanha, decretado pela Direção-Geral de Trânsito em resposta à tempestade Ingrid, colocou o setor da distribuição alimentar em estado de alerta.

A Associação Espanhola de Distribuidores, Autosserviços e Supermercados estima que cerca de 150 lojas na Galiza, Astúrias, Cantábria e no norte de Castela e Leão possam ser afetadas, numa fase em que ainda não se registava queda de neve.

De acordo com o ’20Minutos’, a ASEDAS, que representa cerca de 75% da distribuição alimentar em Espanha, considera a decisão “sem precedentes” e alerta para o congestionamento de camiões em vários pontos da rede rodoviária, bem como para dificuldades de acesso a centros logísticos e superfícies comerciais. A associação sublinha que, no momento em que as restrições foram impostas, não existiam condições meteorológicas que justificassem a interrupção do tráfego pesado.

Impacto no abastecimento e críticas do setor

A ASEDAS denuncia que a medida resultou na perda de “horas cruciais” para o abastecimento de supermercados e lojas de autosserviço, ao paralisar plataformas logísticas e criar entraves ao transporte de alimentos e bens essenciais. A associação classifica a decisão como “desproporcionada” e “precipitada”, alertando ainda para um precedente preocupante no que respeita à garantia de um serviço essencial como o abastecimento alimentar.

Em paralelo, a associação apelou aos consumidores para evitarem comportamentos de compra excessiva, advertindo que o armazenamento desnecessário de alimentos em casa poderá agravar eventuais dificuldades de abastecimento durante o fim de semana.

Pedido de corredores prioritários para bens essenciais

Perante o cenário, a ASEDAS pediu às autoridades que mantenham as vias afetadas pela neve abertas sempre que possível e que priorizem a passagem segura de camiões que transportem mercadorias essenciais, de forma a assegurar o fornecimento regular aos pontos de venda. Segundo o ’20Minutos’, a Associação de Fabricantes e Distribuidores também lamentou o impacto direto das restrições no transporte de produtos perecíveis e essenciais.

Esta organização propôs a criação de comboios de camiões escoltados por limpa-neves, bem como a abertura temporária de janelas de circulação em troços estratégicos, defendendo ainda a priorização de veículos devidamente identificados que transportem bens essenciais. O responsável pelos transportes da associação sublinhou a necessidade de medidas proporcionais e ajustadas à evolução real da tempestade, de modo a evitar ruturas no abastecimento.

Normalidade relativa nas grandes cadeias

Apesar dos alertas, fontes do setor da distribuição indicaram que, para já, a situação é descrita como de normalidade em algumas cadeias de supermercados, incluindo redes com forte presença em centros urbanos de média e pequena dimensão. Ainda assim, o receio de constrangimentos aumenta à medida que se prolongam as restrições e se intensificam as condições meteorológicas adversas.

Transportadores falam em decisão excessiva

As críticas estendem-se também ao setor dos transportes rodoviários. A Confederação Espanhola de Transportes de Mercadorias considera que as restrições foram adotadas sem uma avaliação contínua do estado real das estradas, penalizando fortemente os profissionais do setor. A confederação rejeita a aplicação automática de medidas extremas e defende que todos os meios disponíveis, como limpa-neves, espalhadores de sal e recursos humanos, deveriam ser plenamente ativados antes de se avançar para interdições generalizadas.

Em Castela e Leão, a federação regional do transporte rodoviário alertou para a falta de tempo de reação dada aos motoristas, muitos dos quais já se encontravam em circulação quando as restrições foram anunciadas. O presidente da associação afirmou que a decisão está a bloquear a região por estrada, impedindo o regresso de numerosos camionistas a casa e afetando o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, com relatos de veículos pesados retidos em estradas desimpedidas enquanto a circulação lhes é vedada.

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