Bombeiros renovam ameaça de cobrar ao SNS as ambulâncias paradas nos hospitais

Discussão regressa na sequência da morte de um homem de 78 anos, no Seixal, que aguardou quase três horas pelo socorro após uma queda em casa. Segundo o presidente do INEM, o atraso ficou a dever-se à indisponibilidade de ambulâncias, retidas nos hospitais da Margem Sul à espera das macas

Revista de Imprensa
Janeiro 8, 2026
9:39

Dois anos depois de ter recuado na medida, a Liga dos Bombeiros Portugueses volta a admitir a cobrança de uma taxa aos hospitais do SNS pelo tempo em que as ambulâncias ficam paradas nas urgências à espera da devolução das macas. A possibilidade será analisada este sábado, numa reunião com as federações distritais, revelou ao jornal ‘Público’ o vice-presidente da liga, Eduardo Correia.

A discussão regressa na sequência da morte de um homem de 78 anos, no Seixal, que aguardou quase três horas pelo socorro após uma queda em casa. Segundo o presidente do INEM, o atraso ficou a dever-se à indisponibilidade de ambulâncias, retidas nos hospitais da Margem Sul à espera das macas.

“É natural que a questão da cobrança volte para cima da mesa. Não temos muito mais armas para resolver este problema”, afirmou Eduardo Correia, sublinhando que a retenção prolongada de meios de emergência é “insustentável” para as corporações e compromete o socorro pré-hospitalar.

Morte no Seixal e investigação aberta

O pedido de ajuda foi feito às 11h23 e classificado como prioridade urgente, o que previa a chegada de uma ambulância em até 60 minutos. No entanto, os meios só foram acionados quase três horas depois, quando a vítima já se encontrava em paragem cardiorrespiratória. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito para apurar a qualidade da resposta prestada.

O caso coincidiu com a entrada em vigor de um novo modelo de triagem do INEM, mas o presidente do instituto rejeitou qualquer ligação entre o sistema e o atraso, garantindo que a prioridade atribuída teria sido a mesma no modelo anterior. Segundo explicou, a falha resultou exclusivamente da falta de meios disponíveis, causada pela retenção das ambulâncias nos hospitais da Margem Sul.

Um problema recorrente

A retenção de macas nas urgências é um problema recorrente nos períodos de maior pressão, sobretudo nos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo. Há dois anos, a LBP chegou a ameaçar cobrar entre 50 e 150 euros por hora de espera, mas a medida acabou suspensa após um acordo com o INEM e a Direção Executiva do SNS para melhorar a circulação dos doentes no circuito hospitalar.

Este ano, porém, a liga lamenta que não tenha sido ativado um dispositivo extraordinário de reforço do socorro pré-hospitalar, como aconteceu no inverno passado, nem que os bombeiros tenham sido previamente envolvidos nas alterações ao sistema de prioridades do INEM.

Segundo Eduardo Correia, o problema está identificado há anos e não se resolve apenas com mais macas. A falta de altas hospitalares, a escassez de respostas na rede de cuidados continuados e a carência de profissionais continuam a bloquear o sistema. “Sem uma visão integrada e logística, vamos repetir isto sempre que a pressão aumentar”, alerta.

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