Extrema-direita francesa avança com moção de censura ao novo governo de Lecornu

A União Nacional vai apresentar na segunda-feira uma moção de censura ao Governo de Sébastian Lecornu, anunciou hoje a líder histórica do partido de extrema-direita francês, Marine Le Pen.

Executive Digest com Lusa
Outubro 13, 2025
0:03

A União Nacional vai apresentar na segunda-feira uma moção de censura ao Governo de Sébastian Lecornu, anunciou hoje a líder histórica do partido de extrema-direita francês, Marine Le Pen.

“Amanhã [segunda-feira] apresentaremos uma moção de censura contra o governo. O Presidente da República deve anunciar o mais rapidamente possível a dissolução da Assembleia Nacional (parlamento) para permitir que o povo francês se expresse e escolha uma nova maioria de rutura, que, sem dúvida, será liderada por Jordan Bardella [presidente da União Nacional]”, lê-se numa publicação de Marine Le Pen na sua conta oficial na rede social X, partilhada pelas 22:20 de hoje, hora de Lisboa.

O França Insubmissa, principal partido de esquerda em França, não revelou se votará a favor dessa moção, mas anunciou há uns dias que irá apresentar também uma, o mais brevemente possível.

“Dou um conselho aos recém-chegados: não se instalem tão depressa. A moção de censura está a caminho e depois será Macron a sair”, afirmou a líder parlamentar da França Insubmissa, Mathilde Panot, citada pela agência espanhola EFE.

O Partido Socialista, fundamental para que uma moção vingue ou para que o governo de Lecornu se mantenha, não deu indícios do que fará, embora o seu líder, Olivier Faure, tenha dado sinais de descontentamento após o anúncio da formação do novo executivo, com uma breve mensagem em inglês: “No comment” (sem comentário, em português).

O segundo governo de França liderado por Sébastien Lecornu, que inclui ministros que já integravam o primeiro executivo, apresentado há uma semana e que durou apenas 14 horas, foi hoje anunciado pela presidência francesa.

Entre os novos ministros destaca-se o chefe da polícia de Paris, Laurent Nuñez, nomeado para a pasta da Administração Interna.

Entre os repetentes no executivo estão o ministro da Economia, Roland Lescure, o dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, e a até agora ministra do Trabalho, Catherine Vautrin, que transita para a pasta da Defesa.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, reconduziu Sébastien Lecornu no cargo de primeiro-ministro, na sexta-feira à noite, quatro dias após este ter apresentado a sua demissão ao fim de um mês no cargo.

Rivais de todo o espetro político, da extrema-direita à extrema-esquerda, criticaram a decisão de Macron de reconduzir Lecornu, o quarto primeiro-ministro de França em menos de um ano, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos crescentes e um forte aumento da dívida, e a crise política agrava as dificuldades, gerando preocupação na União Europeia.

França ainda não tem um orçamento para 2026. De acordo com a Constituição, o parlamento deve dispor de pelo menos 70 dias para examinar um projeto de orçamento antes de 31 de dezembro. Assim sendo, Lecornu tem até segunda ou terça-feira para apresentar um documento.

Vários meios de comunicação social franceses noticiaram que não haverá reunião do Conselho de Ministros na segunda-feira, razão pela qual não será possível aprovar o projeto de orçamento para 2026 e a Assembleia Nacional (parlamento) poderá não ter margem legal suficiente para o debater e aprovar antes de 31 de dezembro.

Sébastien Lecornu referiu hoje que tem um novo Governo “de missão”, para apresentar um orçamento “antes do final do ano”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.