O número de migrantes enviados de volta para os seus países de origem na União Europeia aumentou de forma significativa no terceiro trimestre de 2025, embora persista um fosso considerável entre as ordens de repatriação emitidas e as que são efetivamente executadas.
De acordo com dados do Eurostat citados pela ‘Euronews’, cerca de 42 mil cidadãos de países terceiros foram expulsos pelos Estados-membros entre julho e setembro de 2025, o que representa um aumento de 19% face ao mesmo período do ano anterior, quando tinham sido registadas cerca de 35 mil repatriações.
A maioria dos migrantes deixou o território da União Europeia, correspondendo a 82% do total, enquanto 18% foram encaminhados para outros países do bloco.
Alemanha lidera aumento das repatriações
Entre os Estados-membros, a Alemanha destacou-se pelo reforço das operações de regresso. No terceiro trimestre de 2025, Berlim triplicou o número de repatriações, atingindo quase 12 mil, ultrapassando França, que registou cerca de cinco mil.
Segundo a ‘Euronews’, a Bélgica segue uma tendência semelhante, com os regressos de cidadãos de países terceiros a quase duplicarem, passando de 730 no terceiro trimestre de 2024 para 1.210 no mesmo período de 2025. Portugal não surge referenciado pelo Eurostat devido a inconsistência de números.
Argelinos e marroquinos no topo das repatriações
Os dados do Eurostat indicam que os maiores números de repatriações envolveram cidadãos da Argélia, com 12.325 casos, e de Marrocos, com 6.670.
Em comparação com o trimestre anterior, os aumentos mais expressivos verificaram-se entre cidadãos da Turquia, Síria, Rússia, Geórgia e Albânia, com subidas que variam entre 2% e 15%.
Cerca de 40% de todos os regressos foram classificados como forçados, o que significa que uma parte significativa dos migrantes não abandonou o território da UE de forma voluntária. No entanto, estas taxas variam amplamente entre países, com a Dinamarca a registar 91% de regressos forçados, seguida da Roménia e da Bulgária. A Itália apresenta uma taxa de 100%, valor que, segundo o Eurostat, pode refletir diferenças nos métodos de notificação e nos procedimentos nacionais.
Ainda assim, aproximadamente 77% dos regressos envolveram algum tipo de apoio financeiro, como ajuda na compra de bilhetes ou subsídios atribuídos à partida ou à chegada.
Ordens de repatriação continuam longe de ser cumpridas
Apesar do aumento das expulsões, apenas cerca de 36% das ordens de repatriação emitidas no terceiro trimestre de 2025 foram efetivamente executadas, num total de 41.890 casos.
A França foi o país que emitiu mais ordens, com quase 34 mil, mas apenas 14% foram concretizadas, uma taxa semelhante à da Grécia e de Espanha, segundo a Euronews.
Este desfasamento deve-se a vários fatores, incluindo dificuldades na identificação do país de origem, problemas de saúde, adiamentos administrativos ou situações que envolvem menores não acompanhados.
No início de dezembro, os países da UE aprovaram um novo quadro legislativo para acelerar os regressos, permitindo a celebração de acordos com países terceiros para a criação de centros de acolhimento fora do território europeu. No entanto, organizações de defesa dos direitos humanos alertam que esta solução pode abrir caminho a detenções arbitrárias e a regressos ilegais.














