A Coreia do Norte revelou recentemente o Hwasong-20, um míssil balístico intercontinental (ICBM) alegadamente capaz de transportar ogivas nucleares, reacendendo preocupações internacionais sobre a expansão do arsenal de longo alcance de Kim Jong Un e a ameaça crescente para os Estados Unidos e aliados.
Por que este míssil é relevante?
O programa nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte, sancionado pela ONU, continua a ser uma fonte central de instabilidade no nordeste asiático. O fortalecimento do arsenal norte-coreano levou a Coreia do Sul a reforçar a cooperação em segurança com Washington e Tóquio, enquanto Pyongyang classifica estas alianças como “provocações” que justificam o desenvolvimento acelerado das suas armas.
O que se sabe sobre o Hwasong-20?
O Hwasong-20 junta-se à família crescente de ICBMs norte-coreanos, que inclui o Hwasong-15, -17, -18 e -19, todos considerados capazes de atingir o território continental dos Estados Unidos. Ao contrário dos modelos Hwasong-15 e -17, que utilizam combustível líquido, o Hwasong-18, -19 e agora o Hwasong-20 utilizam combustível sólido, permitindo lançamentos mais rápidos e com menor preparação, dificultando a deteção e a preempção por outros governos.
O Hwasong-20 foi apresentado numa parada militar em Pyongyang, assinalando o 80.º aniversário do Partido dos Trabalhadores da Coreia, com Kim Jong Un a supervisionar o evento. Os meios estatais norte-coreanos classificaram o míssil como o “sistema de armas estratégicas mais poderoso do país”.
Quais são as capacidades e limitações conhecidas?
Embora as especificações do Hwasong-20 não tenham sido verificadas de forma independente, análises preliminares sugerem que o míssil pode transportar uma carga mais pesada e atingir maior alcance do que os modelos anteriores. Contudo, especialistas alertam que o regime ainda enfrenta desafios técnicos significativos em áreas como precisão de orientação, implantação de múltiplas ogivas e sobrevivência das ogivas durante a reentrada na atmosfera terrestre.
Lee Sang-min, investigador do Korea Institute for Defense Analyses, em Seul, destacou em novembro que “a tecnologia de reentrada é crucial para ICBMs, mas a Coreia do Norte parece priorizar o alcance em detrimento destas capacidades essenciais”.
Existe envolvimento de outros países?
Seul e Washington acreditam que Kim Jong Un pode estar a receber assistência técnica da Rússia, em troca de fornecer munições e tropas para a guerra na Ucrânia. O presidente do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, Jin Yong-sung, afirmou recentemente aos legisladores que há “possibilidade suficiente” de Moscovo ter apoiado o desenvolvimento do Hwasong-20, observando que o design do lançador do míssil difere significativamente do Hwasong-19 testado no ano anterior.
O que dizem os líderes sobre este míssil?
Kim Jong Un afirmou durante o discurso da comemoração do aniversário do Partido: “Para fazer face às crescentes ameaças de guerra nuclear pelos imperialistas dos EUA, [Pyongyang] teve de liderar o povo para um novo salto na construção socialista, enquanto simultaneamente prosseguia a construção económica e o reforço das forças nucleares.”
O Diretor de Inteligência Nacional dos EUA, no seu relatório de 2025, destacou que “Kim continuará a priorizar o esforço para construir uma força de mísseis mais capaz — desde mísseis de cruzeiro a ICBMs e veículos hipersónicos — projetados para contornar defesas norte-americanas e regionais, melhorar a capacidade de ataque preciso e colocar forças dos EUA e aliados em risco”.
Quais são os próximos passos esperados?
Analistas, como Ankit Panda, do Carnegie Endowment for International Peace, consideram provável que o Hwasong-20 seja testado antes do final de 2025. Além disso, a chefe de inteligência norte-americana Tulsi Gabbard indicou que Pyongyang provavelmente se prepara para o primeiro teste nuclear desde 2017.
A Coreia do Norte não aparenta intenção de abandonar o seu arsenal nuclear, formalmente consagrado na Constituição. Em setembro, Kim sugeriu que qualquer diálogo com Washington só poderia retomar se os EUA abandonassem a exigência de desnuclearização, sublinhando o impasse persistente na Península Coreana.














