Donald Trump voltou a abalar o equilíbrio diplomático global ao sugerir que os Estados Unidos podem “testar imediatamente” o seu arsenal nuclear. As declarações, feitas durante um comício, foram interpretadas como uma ameaça de pôr fim à moratória de ensaios nucleares que o país mantém há mais de três décadas. Segundo a publicação espanhola ’20 Minutos’, as palavras do presidente dos EUA reabriram o debate sobre a tríade nuclear americana, o conjunto de forças estratégicas que sustenta o poder dissuasor dos EUA.
O poder das três forças nucleares americanas
A chamada “tríade nuclear” dos Estados Unidos é composta por três pilares: mísseis balísticos intercontinentais lançados de terra, mísseis submarinos e bombas nucleares transportadas por aviões estratégicos.
Atualmente, o país dispõe de cerca de 5.177 ogivas nucleares, das quais 1.700 estão operacionalmente prontas, segundo dados do Instituto Internacional de Estocolmo para a Investigação da Paz (SIPRI).
Na componente terrestre, os EUA mantêm cerca de 400 mísseis Minuteman III, distribuídos por silos em Wyoming, Montana e Dakota do Norte, aos quais se juntam 450 lançadores operacionais. No mar, contam com 14 submarinos da classe Ohio, armados com mísseis Trident II D5, capazes de transportar ogivas múltiplas. Já no ar, operam 60 bombardeiros pesados, entre eles o B-2 Spirit e o B-52 Stratofortress, equipados com bombas nucleares B61 e B83 e mísseis de cruzeiro AGM-86B.
Parte deste arsenal encontra-se estacionado em bases aliadas na Alemanha, Bélgica, Itália, Países Baixos, Turquia e Reino Unido, reforçando a presença estratégica americana no continente europeu.
Uma modernização que custa caro
O programa de modernização nuclear dos Estados Unidos está em curso e representa centenas de milhares de milhões de dólares em investimento. Ainda assim, enfrenta atrasos e custos acrescidos. A estratégia americana continua a basear-se na ideia de dissuasão total, garantindo uma capacidade de resposta imediata em caso de ataque.
Trump, no entanto, rompeu o tom prudente da diplomacia. Ao afirmar que os EUA poderiam “testar imediatamente” as suas armas, insinuou a possibilidade de retomar os testes nucleares que cessaram em 1992. Tal gesto significaria o fim efetivo do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares (CTBT), assinado em 1996, embora nunca ratificado pelos Estados Unidos.
Risco de uma nova corrida armamentista
A eventual reativação dos testes americanos teria consequências profundas: o colapso da moratória poderia provocar uma resposta em cadeia de outras potências nucleares, nomeadamente a Rússia e a China, num momento de tensão global já elevada.
Durante a sua intervenção, Trump afirmou que pretende incluir Pequim em futuras negociações sobre controlo de armas nucleares, referindo que a China “vai ultrapassar” os EUA dentro de quatro ou cinco anos, enquanto classificou a Rússia como “a segunda potência nuclear”.
No entanto, poucas horas depois, o presidente esclareceu as suas declarações, afirmando que o seu anúncio tinha como foco alcançar a “desnuclearização” e incluir a China nas negociações do tratado de não proliferação com a Rússia. “Eu gostaria de ver a desnuclearização, porque temos muitas armas nucleares e a Rússia sofreu. A Rússia é a segunda maior potência nuclear e a China a terceira, e a China vai ultrapassá-la em quatro ou cinco anos. Acho que a desescalada, o que eu chamaria de desnuclearização, seria algo ótimo. É algo que estamos a discutir com a Rússia, e queremos incluir a China se conseguirmos”, disse Trump a bordo do ‘Air Force One’, na viagem de regresso da Coreia do Sul, onde se reuniu com o seu homólogo chinês, Xi Jinping.
🇮🇳🇵🇰 India and Pakistan expanded their nuclear arsenals and continued to develop new delivery systems in 2024. In early 2025 tensions between India and Pakistan briefly spilled over into armed conflict 🔗 https://t.co/Yq3qZclB3g#SIPRIYearbook #NuclearWeapons #Disarmament pic.twitter.com/gkZqqPCws6
— SIPRI (@SIPRIorg) June 16, 2025














