Explicador: o que é o Oreshnik, o míssil hipersónico quase impossível de intercetar com que Putin atacou Ucrânia?

Este é o segundo uso confirmado do Oreshnik, após um primeiro ataque em novembro de 2024 contra a cidade de Dnipro, no centro-leste da Ucrânia

Francisco Laranjeira
Janeiro 9, 2026
12:46

A Rússia lançou, esta madrugada, um ataque a alvos estratégicos na Ucrânia utilizando o sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik, segundo comunicado oficial do Ministério da Defesa russo. O ataque incidiu sobre fábricas de drones e infraestruturas energéticas, numa operação justificada como “resposta ao ataque terrorista do regime de Kiev contra a residência do presidente da Rússia” no final de dezembro.

Este é o segundo uso confirmado do Oreshnik, após um primeiro ataque em novembro de 2024 contra a cidade de Dnipro, no centro-leste da Ucrânia. Na ocasião, o próprio Vladimir Putin classificou o disparo como um “teste bem-sucedido”, com ogivas convencionais. O recente ataque em Lviv e Kiev também não envolveu armamento nuclear, mas serve como demonstração das capacidades do sistema e como aviso em meio às negociações de cessar-fogo.

Características e capacidades do Oreshnik

O Oreshnik é um míssil balístico hipersónico de alcance intermédio (IRBM), capaz de atingir distâncias entre 3.000 e 5.500 quilómetros. Está equipado com múltiplos veículos de reentrada com alvos independentes e pode ser lançado a partir de veículos multi-eixos de alta mobilidade, conferindo-lhe grande flexibilidade operacional.

O míssil combina uma trajetória de voo semiorbital com combustível sólido, permitindo atingir velocidades de cerca de 12.300 km/h, aproximadamente 10 vezes a velocidade do som. Mede entre 15 e 20 metros de comprimento, possui quase dois metros de diâmetro, pesa cerca de 30 toneladas e pode transportar até 1.000 quilos de carga útil, seja convencional ou nuclear. A sua precisão é notável, com um erro circular provável entre 10 e 20 metros.

Especialistas militares russos indicam que o Oreshnik poderá ser implantado em brigadas de armas combinadas e tanques, atuando em níveis operacional e estratégico. A produção em massa, entretanto, ainda não foi concluída, segundo informações do Ministério da Defesa britânico.

Quase impossível de intercetar

Devido à sua velocidade extrema e à capacidade de lançar múltiplas ogivas, o Oreshnik é considerado quase impossível de intercetar pelos sistemas antiaéreos convencionais. O Conselho de Segurança Nacional dos EUA estima que Moscovo possua apenas algumas unidades, usadas principalmente para intimidar a Ucrânia e os seus aliados.

Em combate, o míssil tem demonstrado eficácia em atingir infraestrutura crítica ucraniana. O ataque recente provocou quatro mortos em Kiev e danificou a rede elétrica na região oriental de Belgorod. A cidade de Lviv também sofreu com impactos diretos, embora o tipo exato do míssil utilizado esteja a ser ainda investigado.

Implicações estratégicas

A utilização repetida do Oreshnik representa uma escalada tecnológica e psicológica da guerra, mostrando a capacidade russa de projetar poder a longa distância. Ao mesmo tempo, levanta preocupações quanto a interpretações erradas do armamento, uma vez que mísseis convencionais podem ser confundidos com armas nucleares, aumentando os riscos de escalada involuntária.

Analistas sublinham que o Oreshnik, aliado a drones e outras plataformas, altera o equilíbrio operacional na região, acelerando a integração de armas hipersónicas em conflitos modernos. A Rússia parece, assim, posicionar-se tanto como demonstração de força como teste contínuo de capacidades emergentes.

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