O ex-presidente norte-americano Donald Trump foi diagnosticado com insuficiência venosa crónica, uma doença que afeta o retorno do sangue das pernas para o coração. Embora comum em adultos mais velhos, esta condição pode tornar-se debilitante se não for devidamente acompanhada. A revelação surge após a divulgação de imagens em que Trump apresentava tornozelos visivelmente inchados e sinais de maquilhagem sobre hematomas na mão direita.
Perante as especulações, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, leu em conferência de imprensa uma carta assinada pelo médico Sean Barbabella, onde se esclarece que “o inchaço nas pernas é causado por uma condição venosa comum e benigna”, acrescentando que a contusão na mão se deve “aos numerosos apertos de mão”.
Segundo Barbabella, exames realizados recentemente revelaram uma “insuficiência venosa crónica, uma condição benigna e comum, especialmente entre indivíduos com mais de 70 anos”. O médico garantiu ainda que não foram detetados sinais de trombose venosa profunda nem de doença arterial e concluiu que “o Presidente Trump continua com excelente saúde”.
O que é a insuficiência venosa crónica?
A insuficiência venosa crónica (IVC) ocorre quando as válvulas nas veias das pernas deixam de funcionar corretamente, impedindo o sangue de regressar eficientemente ao coração. Como consequência, o sangue acumula-se na parte inferior dos membros, provocando inchaço — especialmente nos tornozelos e pés — e, em casos mais avançados, pode dar origem a varizes, dor persistente ou até úlceras cutâneas.
A cirurgiã vascular Alisha Oropallo, da Northwell Health, explicou ao Washington Post que quando o sangue não consegue fluir para cima, “pode causar pressão nas veias saudáveis e fazer com que elas adoeçam”. Acrescenta ainda que, com o tempo, os glóbulos vermelhos “vazam para a pele”, oxidando-se e provocando manchas escuras permanentes.
Quem está em risco?
Segundo Thomas Maldonado, diretor médico do Centro de Tromboembolismo Venoso da NYU Langone Health, “a condição não é perigosa por si só, mas pode causar complicações a longo prazo, como úlceras difíceis de curar e infeções de pele”. Além disso, aumenta o risco de desenvolver coágulos.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, excesso de peso, histórico de coágulos sanguíneos, gravidez e longos períodos em pé ou sentado. A predisposição genética também desempenha um papel relevante. Tal como explica Maldonado, “alguns pacientes desenvolvem sintomas tão graves que veem a sua qualidade de vida seriamente comprometida”.
Como prevenir?
A prevenção da IVC passa por hábitos de vida saudáveis: praticar exercício físico, manter um peso adequado e evitar a imobilidade prolongada. Segundo recomenda o site da CUF, atividades como caminhada, natação ou ciclismo “promovem a circulação venosa”. Em contrapartida, desportos com movimentos bruscos — como o ténis — devem ser evitados.
A alimentação é também fundamental: uma dieta rica em fibras, com baixa ingestão de gorduras saturadas e consumo regular de água, ajuda a evitar o aumento da pressão venosa. O calor em excesso deve ser evitado, sendo recomendável o uso de água fria para aliviar a sensação de peso nas pernas. A massagem ascendente nos membros inferiores também é benéfica.
Como é feito o diagnóstico e qual o tratamento?
O diagnóstico é geralmente confirmado através de ecografias das veias das pernas, conhecidas como estudo de refluxo venoso. Estes exames permitem avaliar a integridade das válvulas venosas.
O tratamento pode passar por medidas simples como o uso de meias de compressão, elevação regular das pernas, perda de peso e prática de exercício. Em casos mais avançados, estão disponíveis procedimentos minimamente invasivos. A diretora da Vein Clinic da UChicago Medicine, Chelsea Dorsey, explica ao Washington Post que “esses procedimentos ajudam a fechar as veias disfuncionais, redirecionando o fluxo sanguíneo para caminhos mais eficientes”.
No caso de Donald Trump, o diagnóstico surge como mais um sinal da fragilidade crescente associada à sua idade. Ainda assim, a equipa médica assegura que a condição está sob controlo e que, por ora, não representa risco direto. Como alertam os especialistas, o mais importante é a monitorização contínua — tanto para evitar complicações como para preservar a mobilidade e a qualidade de vida.














