Explicador. O paradoxo venezuelano: colosso petrolífero em decadência e recursos milionários que ‘despertaram’ Trump

Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do planeta, estimadas em mais de 300 mil milhões de barris de crude, concentradas na Faixa Petrolífera do Orinoco, preservadas durante a ofensiva

Francisco Laranjeira
Janeiro 6, 2026
13:11

Menos de seis horas depois do rápido ataque dos Estados Unidos que resultou na detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Donald Trump confirmou o interesse americano no futuro da indústria petrolífera do país sul-americano. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do planeta, estimadas em mais de 300 mil milhões de barris de crude, concentradas na Faixa Petrolífera do Orinoco, preservadas durante a ofensiva.

A produção diária atual ronda um terço do que era extraído na década de 1990, quando o país vivia um período de prosperidade. Segundo especialistas, a queda deve-se à falta de investimentos, à obsolescência do equipamento e à escassez de aditivos e mão-de-obra qualificada. O petróleo venezuelano é pesado e ácido, essencial para a produção de gasóleo e asfalto, e a sua escassez tem contribuído para a recente subida do preço do combustível a nível global.

A China é atualmente o maior cliente do petróleo venezuelano, enquanto apenas a Chevron mantém operações nos Estados Unidos, após regressar no verão passado. As refinarias americanas utilizam o crude venezuelano em mistura com petróleo leve produzido internamente.

Cenários para o setor petrolífero

Gonzalo Escribano, investigador sénior do Instituto Real Elcano, alertou que o futuro da indústria depende da estabilidade política. Caso se mantenha a incerteza, as petrolíferas internacionais dificilmente investirão milhões num ambiente marcado por excesso de oferta e preços baixos. Por outro lado, indicou o jornal espanhol ‘El País’, se houver um acordo com Trump que permita a entrada das empresas americanas, a produção venezuelana poderia aumentar cerca de meio milhão de barris por dia.

Jorge León, vice-presidente da consultora Rystad Energy, sublinhou que a Venezuela não consegue aumentar a produção rapidamente devido à falta de investimentos em portos, oleodutos, refinarias e mão-de-obra qualificada, atualmente controlada por militares. Segundo León, mesmo com todo o potencial do país, a retoma sustentável da produção poderá levar entre cinco a oito anos.

Riqueza natural em contraste com pobreza económica

A Venezuela possui vastas reservas de petróleo, gás natural, ouro, diamantes, minério de ferro e bauxite, bem como depósitos de fosfato e feldspato. No entanto, o país vive num contexto de empobrecimento, isolamento internacional e êxodo migratório.

Antes do ataque, Maduro terá oferecido a Trump acesso preferencial ao setor petrolífero em troca de garantias de segurança, incluindo um possível exílio na Turquia, proposta que terá sido recusada. O fracasso das negociações levou à operação militar que culminou na sua detenção em Brooklyn, Nova Iorque.

Trump assumiu publicamente o interesse económico dos EUA na Venezuela, destacando o potencial de investimento e os lucros que poderiam ser gerados pelas empresas americanas. O presidente americano referiu que a medida poderia tornar o povo venezuelano mais rico, independente e seguro, enquanto o país mantém um papel estratégico no abastecimento mundial de petróleo, mesmo num cenário de transição energética global.

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