Uma antiga dirigente de topo da indústria farmacêutica, que teve um papel central no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 da Moderna, foi escolhida para liderar o novo serviço de dados de saúde do Governo britânico. A nomeação de Melanie Ivarsson para o cargo de directora-executiva do Health Data Research Service (HDRS) será anunciada oficialmente esta segunda-feira, segundo responsáveis governamentais adiantaram ao Financial Times.
O HDRS nasce com o objectivo de criar um ponto único de acesso aos conjuntos de dados do Serviço Nacional de Saúde (NHS), permitindo que investigadores e organizações científicas possam trabalhar de forma mais integrada com informação clínica detida pelo Estado britânico.
Melanie Ivarsson desempenhou anteriormente funções de directora de desenvolvimento na Moderna, empresa biotecnológica norte-americana, onde esteve responsável pela área de desenvolvimento clínico. Nesse papel, liderou o percurso da vacina de mRNA contra a Covid-19 desde as fases iniciais de testes até aos ensaios clínicos em grande escala e à aprovação regulamentar.
Durante esse período, Ivarsson defendeu publicamente que o Reino Unido deveria reduzir a burocracia associada aos ensaios clínicos, alertando para a necessidade de o país acompanhar outras nações no desenvolvimento de estudos que pudessem beneficiar directamente os doentes do sistema público de saúde.
Antes de integrar a Moderna, Ivarsson foi directora global de operações clínicas na farmacêutica japonesa Takeda, após a aquisição da Shire. Anteriormente, trabalhou durante nove anos na Pfizer, também na área de desenvolvimento clínico, e iniciou a sua carreira na Eli Lilly, onde integrou a equipa de desenvolvimento clínico inicial da empresa norte-americana.
Um serviço central para dados do NHS
O Health Data Research Service será responsável pelo controlo e armazenamento de dados do NHS, inserindo-se numa estratégia mais ampla do Governo britânico para melhorar os fluxos de informação e rentabilizar os dados gerados por um sistema de saúde financiado com fundos públicos.
O serviço deverá entrar em funcionamento até ao final deste ano e atingir plena capacidade operacional em 2030. No entanto, um dos aspectos mais controversos do projecto prende-se com a política de preços aplicada ao acesso aos dados médicos.
Especialistas têm alertado que a cobrança a empresas farmacêuticas e a organizações de investigação pelo acesso a informação clínica sensível poderá intensificar as preocupações públicas em torno do aproveitamento comercial de dados de saúde.
Debate político sobre a utilização comercial dos dados
Em 2025, o então ministro da Saúde, Zubir Ahmed, afirmou que o Reino Unido deveria “alavancar” o novo serviço de dados de saúde tanto para acelerar a descoberta de novos tratamentos para os doentes do NHS como para gerar benefícios financeiros para os cofres do Tesouro.
O HDRS está a ser criado com um financiamento aproximado de 600 milhões de libras, proveniente do Governo britânico e da Wellcome Trust, uma fundação dedicada à investigação biomédica.
Em Novembro, a baronesa Nicola Blackwood, presidente da Genomics England, foi nomeada presidente do conselho de administração do HDRS. A entidade foi formalmente aprovada como empresa pública e terá sede no Wellcome Genome Campus, em Cambridgeshire.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Lord Patrick Vallance, destacou o percurso profissional de Melanie Ivarsson, sublinhando que o seu currículo “fala por si”, em particular a liderança do programa de vacinas de mRNA da Moderna, que considerou ter sido “uma parte importante da luta contra a Covid-19”.
“O Health Data Research Service será fundamental para garantir que os dados de saúde são utilizados para melhorar a saúde, acelerar descobertas científicas e fornecer informação que ajude a melhorar a prestação de cuidados de saúde”, afirmou Vallance, numa declaração oficial.














