Eurovisão antecipa para novembro reunião que vai decidir a participação de Israel no festival

Espanha já anunciou que vai boicotar o Festival Eurovisão da Canção em 2026 se Israel participar, indicou a Conselho de Administração da RTVE, a televisão pública espanhola

Francisco Laranjeira
Setembro 25, 2025
18:40

O Eurovisão antecipou para novembro a reunião em que a União Europeia de Radiodifusão (UER) e todos os seus membros decidirão sobre a participação de Israel no concurso musical de 2026, que acontecerá em Viena, na Áustria, avançou a ‘RTVE’.

A UER tomou esta decisão tendo em vista a “diversidade de opiniões sem precedentes” entre os Estados-membros sobre o assunto, de acordo com o comunicado emitido pela União. Diante dessa situação, o Conselho considerou que a questão merece ser debatida democraticamente num fórum onde todos os Estados tenham voz. “Consequentemente, o Conselho decidiu organizar uma sessão extraordinária da Assembleia Geral, a ser realizada online no início de novembro, para os membros votarem sobre a questão da participação no Festival Eurovisão da Canção 2026”, indicou.

Recorde-se que Espanha já anunciou que vai boicotar o Festival Eurovisão da Canção em 2026 se Israel participar, indicou a Conselho de Administração da RTVE, a televisão pública espanhola.

Espanha é o primeiro país do grupo conhecido como “Big 5” a anunciar este boicote.

Fazem parte dos “Big 5” as televisões públicas que contribuem com mais verbas para a União Europeia de Radiodifusão (EBU, na sigla em inglês) e, assim, para a organização do Festival Eurovisão da Canção.

Os “Big 5” são Espanha, Reino Unido, França, Alemanha e Itália e as canções destes países têm acesso direto à final em cada edição do festival.

Além de Espanha já anunciaram um boicote à edição de 2026, caso Israel participe, outros quatro países: Irlanda, Eslovénia, Islândia e Países Baixos.

Os boicotes devem-se aos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, que o Governo espanhol classifica como um genocídio.

Também uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza desde o início da guerra no território, em 7 de outubro de 2023, com a “intenção de destruir” os palestinianos.

“Nós chegamos à conclusão que um genocídio acontece em Gaza e vai continuar a acontecer, sendo que responsabilidade cabe ao Estado de Israel”, disse a presidente desta comissão, Navi Pillay, ao apresentar o relatório da investigação da Comissão da ONU sobre os crimes cometidos nos territórios palestinianos ocupados.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, já defendeu por diversas vezes, que Israel deveria ser excluído de competições desportivas e culturais internacionais, como aconteceu com a Rússia na sequência do ataque à Ucrânia em 2022.

O diretor do Festival Eurovisão da Canção, Martin Green, disse à agência de notícias AFP que cada membro da EBU pode decidir livremente se quer ou não participar no concurso e que essa decisão será respeitada.

“Compreendemos as preocupações e opiniões (…) relativas ao conflito em curso no Médio Oriente”, afirmou Martin Green.

O Festival Eurovisão da Canção é organizado pela EBU, a primeira aliança mundial de meios de comunicação social de serviço público, fundada em 1950, em cooperação com mais de 35 países, e da qual a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) faz parte.

O concurso realiza-se anualmente desde 1956 e já houve países excluídos, caso da Bielorrússia, em 2021, após a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, e da Rússia, em 2022, após a invasão da Ucrânia.

Israel foi o primeiro país não europeu a poder participar, em 1973, e ganhou quatro vezes.

Na edição deste ano, em maio, em Basileia (Suíça), Israel ficou em segundo lugar.

A presença de Israel no concurso foi contestada por artistas que já participaram no concurso e por países como Espanha e Finlândia.

Este ano, Israel foi representado por Yuval Raphael, uma das sobreviventes do ataque do grupo extremista islamita Hamas em solo israelita, em 7 outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns, e após o qual teve início a atual ofensiva militar israelita sobre Gaza.

Desde 7 de outubro já morreram mais de 64 mil pessoas na Faixa de Gaza, na maioria civis, segundo números das autoridades locais controladas pelo Hamas que a ONU considera fidedignos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.