Os dias de verão estão a aumentar em toda a Europa e poderão prolongar-se até oito meses antes do final do século, segundo um estudo científico divulgado esta semana. De acordo com a ‘Euronews’, a investigação mostra que os verões europeus estão não só mais longos, mas também mais intensos, embora persista “grande incerteza” sobre os mecanismos exatos que sustentam esta mudança.
O trabalho, publicado na revista ‘Nature Communication’s, analisou a evolução climática dos últimos 10.000 anos a partir de sedimentos acumulados no fundo de lagos europeus. A equipa de Celia Martin-Puertas, investigadora da Royal Holloway (Reino Unido), concentrou-se no gradiente latitudinal de temperatura — a diferença entre o calor no equador e no Ártico — que determina a dinâmica das massas de ar no continente.
Aquecimento do Ártico reduz correntes de ar e prolonga o verão
À medida que o Ártico aquece, a diferença de temperatura em relação ao equador diminui, o que abranda as correntes de ar provenientes do Atlântico e prolonga os padrões típicos da estação quente. Segundo a ‘Euronews’, o estudo revela que cada diminuição de 1°C neste gradiente poderá acrescentar cerca de seis dias ao verão europeu.
Mantida a trajetória atual de aquecimento, a estação quente poderá somar mais 42 dias até 2100. A tendência aproxima-se das condições registadas há cerca de 6.000 anos, período em que o verão durava quase 200 dias.
Velocidade da mudança distingue o presente do passado
Embora este mecanismo climático seja recorrente ao longo da história da Terra, os investigadores sublinham que a diferença está agora “na velocidade, na causa e na intensidade” da alteração. O Ártico está a aquecer até quatro vezes mais depressa do que a média global, impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa.
A equipa destaca também a influência de vários ciclos de retroação ligados à atividade humana, que podem acelerar ou travar temporariamente os efeitos das alterações climáticas.
Cidades europeias vivem estações de calor cada vez mais longas
A Europa é o continente que mais rapidamente aquece. O fenómeno é particularmente visível nas cidades, onde o efeito de ilha de calor urbana intensifica a retenção de calor no betão e no asfalto.
Uma análise recente, citada no estudo, indica que as estações de calor já não se limitam aos meses tradicionais de verão. Atenas registou, entre maio e outubro, um período prolongado de altas temperaturas. Tirana teve 143 dias de calor extremo, enquanto Lisboa e Madrid contabilizaram 136 e 119 dias, respetivamente.
Outros trabalhos referidos pelos investigadores apontam ainda que, no último ano, as alterações climáticas induzidas pelo homem acrescentaram, em média, um mês adicional de calor extremo para cerca de metade da população mundial.













