A Alemanha está a passar por momentos difíceis: em pouco tempo, o motor económico da Europa viu os seus três pilares ‘ruírem’ – a garantia de defesa dos EUA, o gás russo a chegar a uma taxa fixa e os compradores leais da China, que se tornou um concorrente feroz. A estagnação económica já dura há cinco anos e por entre milhares de demissões, problemas políticos, um plano de estímulo menor e mais lento do que o esperado, surgiu recentemente uma notícia que poderá animar a Alemanha: sob os seus pés está uma das maiores reservas de lítio do planeta.
A Neptune Energy, uma grande empresa de petróleo e gás, confimou a existência de 43 milhões de toneladas de carbonato de lítio (LCE) na região de Altmark, no norte da Saxónia-Anhalt. No início deste ano, a Neptune citou uma estimativa teórica de 70 milhões de toneladas de LCE neste local, afirmando que isso se poderia traduzir em cerca de 25.000 toneladas de extração comercial por ano (aproximadamente o suficiente para abastecer cerca de 500.000 veículos elétricos com materiais de bateria anualmente).
Embora a quantidade confirmada seja menor do que a esperada, representa uma descoberta significativa, pois constitui uma das maiores reservas do mundo. A comparação mais visível é feita pelos media especializados com o famoso ‘Triângulo do Lítio’, entre Argentina, Bolívia e Chile, que abriga 53% dos recursos mundiais de lítio, contendo quase 50 milhões de toneladas do metal alcalino.
Isso posiciona a Alemanha como um concorrente-chave na cadeia de abastecimento de veículos elétricos e baterias, potencialmente transformando o papel da Europa no cenário energético global. O projeto de extração de lítio, em desenvolvimento pela Neptune Energy, procura alavancar tecnologias avançadas para minimizar o impacto ambiental e maximizar a produção de lítio, marcando uma mudança significativa da extração tradicional de combustíveis fósseis para a utilização sustentável de recursos.
A descoberta ocorre depois de a empresa britânica de exploração e produção de petróleo e gás ter contratado a agência de avaliação internacional independente Sproule ERCE para determinar a base de recursos para um projeto de extração de lítio na região, sob o CIM/NI43-101.
A Neptune Energy e suas empresas antecessoras exploram os recursos geológicos da região de Altmark desde 1969. Esta área é particularmente conhecida por sua tradição de 55 anos na produção de gás natural. Outrora um dos maiores campos de gás da Europa, a Bacia de Altmark faz parte da Bacia do Permiano (não confundir com a mais famosa Bacia do Permiano nos EUA), que se estende pelo norte da Alemanha até a Rússia, Ucrânia e Polônia. Dados recentes mostram que as salmouras de Rotliegend do vasto campo de gás de Altmark não são apenas altamente mineralizadas, mas também apresentam alto teor de lítio.
O CEO da Neptune Energy, Andreas Scheck, enfatizou que a nova avaliação destaca o potencial significativo das áreas licenciadas da empresa na Saxónia-Anhalt. “Isso nos permite dar uma contribuição significativa ao mercado alemão e europeu de fornecimento de lítio, uma matéria-prima essencial”, explicou.
A importância da descoberta levou a empresa a mudar o seu foco de combustíveis fósseis para um foco baseado em materiais limpos e na alta procura por baterias, especialmente para veículos elétricos. Em vez de depender de métodos ambientalmente prejudiciais, como mineração a céu aberto ou lagoas de evaporação, a empresa está a implementar um processo conhecido como extração direta de lítio (DLE) a partir de salmoura subterrânea. Essa técnica foi projetada para minimizar o uso do solo e o impacto ambiental e, em vez disso, utiliza processos sofisticados de troca iónica e adsorção para isolar o lítio dos depósitos de salmoura.
A descoberta de vastos recursos de lítio na região de Altmark, na Alemanha, tem implicações significativas para o mercado global de energia. À medida que a procura por veículos elétricos e soluções de armazenamento de energia renovável continua a aumentar, a necessidade de lítio, um componente crucial na tecnologia de baterias, intensifica-se.














