Os Estados Unidos chegaram a acordos bilaterais com Honduras e Uganda para que estes países passem a receber migrantes deportados que não são seus cidadãos. Segundo documentos revelados pela cadeia de televisão norte-americana CBS, os entendimentos fazem parte da estratégia da Administração Trump para reforçar a repressão à imigração ilegal e acelerar a expulsão de pessoas que atravessam a fronteira com o México.
No caso do Uganda, o governo concordou em aceitar um número ainda indeterminado de migrantes africanos e asiáticos que não possuam antecedentes criminais. Tratam-se de requerentes de asilo que foram detidos ao tentar entrar nos Estados Unidos. Já as Honduras irão acolher várias centenas de pessoas de países de língua espanhola, incluindo famílias com crianças, num processo que deverá decorrer ao longo de dois anos.
De acordo com a CBS, este modelo representa um passo significativo na política de deportações norte-americana, que prevê enviar migrantes para países onde não nasceram nem nunca residiram. A estação revelou ainda que Washington sondou outros governos, incluindo Espanha e Equador, para avaliar a possibilidade de receberem pessoas deportadas.
A decisão tem sido alvo de duras críticas de organizações internacionais e de ativistas de Direitos Humanos, que alertam para os riscos de se transferirem migrantes para países onde podem estar expostos a perigos ou perseguições. “Estas práticas podem constituir uma violação do Direito Internacional”, afirmaram especialistas em Direitos Humanos das Nações Unidas, citados pela imprensa norte-americana.
A Casa Branca, por seu lado, tem procurado estabelecer acordos semelhantes com países em vários continentes, incluindo Estados onde não existe histórico sólido de respeito pelos Direitos Humanos. Pelo menos uma dúzia de nações já terá concordado em aceitar migrantes de outros países deportados pelos EUA, de acordo com a mesma investigação jornalística.
Este novo capítulo da política migratória norte-americana reflete a estratégia do presidente Donald Trump de endurecer o controlo das fronteiras e de transferir para países terceiros a responsabilidade de acolher pessoas em busca de asilo.














