EUA colocam aeronaves ‘caça-submarinos’ às portas da Rússia

As operações estendem-se ao Báltico, perto do território russo, num momento em que a NATO reforça a sua presença face a ameaças sobre cabos submarinos, oleodutos e atividade suspeita de drones na Polónia, Dinamarca e Noruega.

Pedro Gonçalves
Setembro 30, 2025
12:18

Os Estados Unidos deslocaram para a Noruega aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon, concebidas para missões de caça a submarinos, vigilância e recolha de informações. As operações estendem-se ao Báltico, perto do território russo, num momento em que a NATO reforça a sua presença face a ameaças sobre cabos submarinos, oleodutos e atividade suspeita de drones na Polónia, Dinamarca e Noruega.

De acordo com a conta de análise de inteligência aberta Osinttechnical, no X (antigo Twitter), imagens de satélite de 23 de setembro mostravam entre dois a três P-8 estacionados no terminal militar do aeroporto de Gardermoen, em Oslo. Com base em dados de rastreamento de voo, a mesma fonte acrescentou que um destes aviões foi enviado no final da semana para missões de reconhecimento sobre o mar Báltico, junto ao enclave russo de Kaliningrado.

Kaliningrado é um dos mais importantes postos militares da Rússia na Europa do Norte e no mar Báltico. Desde a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, em resposta à invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, o mar Báltico tem sido descrito como um “lago da NATO”.

Ao jornal norueguês Dagbladet, um porta-voz do quartel-general operacional das Forças Armadas da Noruega confirmou no sábado que vários aviões norte-americanos P-8 têm operado a partir de Gardermoen, “em apoio a atividades aliadas” nas áreas imediatas ao país.

Já em julho, fotografias divulgadas pela Marinha dos EUA mostraram um destes aparelhos a partir da base aérea de Keflavík, na Islândia, numa operação da NATO denominada Baltic Sentry. O exercício visava reforçar a capacidade da Aliança em responder a atos de desestabilização na região.

Capacidades do P-8 Poseidon
Segundo a Boeing, fabricante da aeronave, o P-8 dispõe de reabastecimento aéreo, o que permite missões prolongadas sobre vastas áreas oceânicas. Está equipado com um conjunto de sensores otimizados para operações de inteligência, vigilância e reconhecimento marítimos, incluindo radares de abertura sintética e sistemas especializados para detetar e acompanhar alvos de superfície e submarinos.

Além da Marinha norte-americana, o P-8 é também utilizado pela Força Aérea Real da Noruega e pela Força Aérea Real do Reino Unido.

A deslocação destes meios insere-se no reforço da presença militar dos EUA no flanco norte da NATO. No final de agosto, destróieres da Marinha norte-americana já tinham operado nas imediações do Ártico russo. Esta postura mais agressiva ocorre após uma mudança significativa do presidente Donald Trump relativamente à guerra na Ucrânia, ao declarar recentemente que Kyiv pode “reconquistar todo o território perdido” e ponderar fornecer mísseis de cruzeiro de longo alcance ao país.

Numa declaração conjunta na cimeira dos aliados do mar Báltico, em janeiro, os países membros sublinharam: “Saudamos o lançamento da atividade de vigilância reforçada Baltic Sentry para melhorar a consciência situacional e dissuadir atividades hostis. Saudamos o esforço dos aliados em destacar mais meios no mar, no ar, em terra e sob a superfície do mar, para reforçar a vigilância e a dissuasão.”

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