EUA ameaçam impor sanções contra países que reconheceram Palestina por “recompensar o terrorismo”

Grande grupo de membros do Partido Republicano no Congresso enviou uma carta a França, Canadá, Reino Unido e Austrália a alertar que a sua decisão de reconhecer o Estado da Palestina na próxima Assembleia Geral da ONU levará os EUA a impor “medidas punitivas”

Francisco Laranjeira
Setembro 23, 2025
16:51

Um grande grupo de membros do Partido Republicano no Congresso enviou uma carta a França, Canadá, Reino Unido e Austrália a alertar que a sua decisão de reconhecer o Estado da Palestina na próxima Assembleia Geral da ONU levará os EUA a impor “medidas punitivas”, argumentando que isso representa uma “recompensa pelo terrorismo”.

O reconhecimento do Estado palestiano “é uma postura imprudente que mina as perspetivas de paz”, pode ler-se na carta, assinada por figuras proeminente como a presidente republicana da Câmara, Elise Stefanik, e o senador Rick Scott. “Isso estabelece um precedente perigoso de que a violência, e não a diplomacia, é o caminho mais direto para grupos terroristas como o Hamas atingirem os seus objetivos políticos”, argumentaram, e, portanto, “respeitosamente” pedem que “reconsiderem a sua decisão”.

Os congressistas republicanos lembraram que o Hamas “continua a manter cidadãos israelitas como reféns e se recusa a concordar com um cessar-fogo”. “Os crimes de guerra do Hamas são evidentes e a sua rejeição à diplomacia deve levar os seus países a aplicar mais pressão e, em vez disso, oferecer uma recompensa maior”, alertaram. “O reconhecimento nessas condições apenas reforça a eficácia da violência e do comportamento desviante do Hamas.”

Nessa situação, “recompensar entidades que se recusam a renunciar à violência ou a envolver-se em negociações só serve para aumentar ainda mais as divisões e a instabilidade”, reforçou a carta, que foi igualmente enviada ao secretário de Estado dos EUA e conselheiro interino de Segurança Nacional, Marco Rubio.

Os congressistas republicanos defenderam ainda que isso “coloca em risco a segurança dos seus próprios países” porque “coincide com um aumento do antissemitismo nos seus países”. “Os judeus estão a sofrer assédio sem precedentes e ataques cada vez mais frequentes”, sustentaram.

Por último, alertaram que essa postura “coloca o seu país em desacordo com a política e os interesses oficiais dos EUA, e eles imporão medidas punitivas em resposta”. “Os EUA defendem a segurança de Israel e uma paz justa e duradoura no Médio Oriente através de negociações diretas. O reconhecimento unilateral de um Estado palestiniano ameaça esse processo. Pode perpetuar tensões e recompensar entidades terroristas que aspiram à destruição de Israel”, enfatizaram.

Reino Unido, França, Canadá, Austrália e Portugal, todos aliados tradicionais dos EUA, já anunciaram o reconhecimento da Palestina, aproveitando a sessão anual da Assembleia Geral da ONU, que começou esta segunda-feira em Nova Iorque.

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