A idade certa para oferecer um telemóvel a uma criança continua a ser motivo de debate, mas um estudo recente publicado na revista Pediatrics indica que adiar a entrega até depois dos 12 anos pode reduzir riscos significativos de saúde física e mental. A investigação analisou dados de mais de 10.500 crianças para determinar como a idade de aquisição do smartphone se relaciona com indicadores de saúde aos 12 anos, revelando que as crianças que tinham telemóvel aos 12 anos apresentavam maior risco de depressão, obesidade e distúrbios do sono do que aquelas que ainda não possuíam um dispositivo. Os problemas relacionados com sono e peso eram ainda mais acentuados quando o telemóvel era dado antes dos 12 anos, o que levou o psiquiatra infantil e adolescente Dr. Ran Barzilay, autor principal do estudo, a defender que os resultados apoiam a ideia de adiar a utilização do smartphone: para ele, “este estudo e os resultados apoiam adiar [o telemóvel] um pouco até depois dos 12 anos”, destacando que estas conclusões se aplicam a nível populacional, embora existam situações individuais em que uma criança mais nova possa beneficiar de um telemóvel por motivos de segurança ou comunicação familiar.
O estudo evidencia que o acesso precoce ao telemóvel está associado a consequências negativas, mas especialistas sublinham que a forma como a criança utiliza o aparelho é determinante. A assistente social licenciada Catherine Pearlman, autora do livro First Phone: A Child’s Guide to Digital Responsibility, Safety, and Etiquette, considera que o estudo representa um ponto de partida importante, mas alerta que há casos em que crianças com 12 anos ou menos podem beneficiar de um telemóvel, como em famílias divorciadas, crianças com condições médicas como diabetes ou jovens socialmente tímidos, nos quais o dispositivo é muitas vezes a única forma de contacto com os amigos. Pearlman acrescenta que o problema principal não é apenas ter o telemóvel, mas a supervisão e o tempo de uso, especialmente à noite, e recomenda que os aparelhos não sejam carregados nos quartos para evitar hábitos de sono prejudiciais, explicando que muitas crianças acordam durante a noite para jogar ou conversar com amigos e que, mesmo com resistência inicial, regras como carregar o telemóvel fora do quarto e limitar o uso até às 22h são rapidamente aceites.
A especialista defende que a introdução do telemóvel entre os 12 e os 13 anos é ideal, pois permite a supervisão e orientação por adultos de confiança, tornando o dispositivo uma ferramenta segura e educativa. Segundo Pearlman, “prefiro que uma criança receba um telemóvel aos 12 anos com orientação prática, do que esperar até aos 14, quando já estão a usar aplicações sem supervisão parental”, enfatizando que a mentoria e o acompanhamento tornam a experiência mais segura. O Dr. Barzilay também revelou que a investigação alterou a forma como gere a introdução de telemóveis na sua própria família, explicando que os filhos mais velhos receberam smartphones antes dos 12 anos sem conhecimento dos riscos, mas que, com base nos novos dados, o seu filho mais novo, atualmente com nove anos, só terá acesso ao aparelho a partir dos 13 anos, concluindo que agora possui evidências suficientes para tomar decisões informadas.
Embora a decisão sobre quando dar um telemóvel dependa das características da criança e das circunstâncias familiares, o estudo fornece dados claros sobre os riscos de saúde associados ao uso precoce do smartphone, alertando pais e responsáveis para a importância de equilibrar supervisão, socialização e segurança digital de modo a garantir que o dispositivo seja uma ferramenta benéfica e não prejudicial à saúde mental e física.














