O passaporte português continua a integrar o grupo restrito dos documentos de viagem mais fortes do mundo em 2026, segundo o mais recente Henley Passport Index, que avalia o número de países e territórios a que os titulares de cada passaporte podem aceder sem necessidade de visto prévio.
De acordo com o ranking divulgado esta semana, Portugal ocupa o quinto lugar a nível mundial, em igualdade com Hungria, Eslováquia, Eslovénia e Emirados Árabes Unidos, permitindo entrada sem visto em 184 destinos. O resultado confirma a posição consolidada do passaporte português como um dos mais valorizados do mundo em termos de mobilidade internacional.
O índice é elaborado pela consultora londrina Henley & Partners, com base em dados exclusivos da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), e analisa 227 países e territórios.
Portugal no grupo de elite da mobilidade global
A posição alcançada por Portugal coloca o país de forma consistente no topo da hierarquia global dos passaportes, num contexto em que a mobilidade internacional se tornou um fator determinante para oportunidades económicas, profissionais e pessoais. Ainda assim, o documento português registou uma ligeira queda, do quarto para o quinto lugar, face a agosto de 2025, ocupando agora a mesma posição que ocupava em 2024.
Ao integrar o quinto lugar do ranking, o passaporte português supera documentos de países como os Estados Unidos, o Canadá, o Reino Unido ou a Austrália, reforçando o seu estatuto como um dos mais vantajosos para viajar sem restrições burocráticas significativas.
Ásia lidera o ranking mundial
Tal como em edições anteriores, os primeiros lugares do Henley Passport Index são dominados por países asiáticos. Singapura surge isolada no topo da tabela, enquanto Japão e Coreia do Sul partilham a segunda posição.
Os cidadãos de Singapura podem viajar sem visto para 192 dos 227 destinos analisados, enquanto os passaportes japonês e sul-coreano garantem acesso facilitado a 188 países e territórios.
Europa ocupa grande parte do top 5
A Europa mantém um peso muito significativo nos lugares cimeiros do ranking. Cinco países europeus — Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Suécia e Suíça — partilham o terceiro lugar, com acesso sem visto a 186 destinos.
O quarto lugar é inteiramente europeu e inclui Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos e Noruega, todos com 185 destinos acessíveis sem visto.
É neste contexto que Portugal surge no quinto lugar, reforçando a forte presença europeia entre os passaportes mais poderosos do mundo.
Emirados Árabes Unidos registam subida histórica
Os Emirados Árabes Unidos destacam-se no relatório como o país com o desempenho mais impressionante nos 20 anos de história do índice. Desde 2006, o país acrescentou 149 destinos sem visto ao seu passaporte e subiu 57 posições no ranking global.
Segundo o relatório, esta evolução resulta de um processo de “envolvimento diplomático sustentado e liberalização de vistos”.
Estados Unidos regressam ao top 10, mas continuam a perder terreno
Os Estados Unidos regressam em 2026 ao top 10, ocupando o décimo lugar, com acesso sem visto a 179 destinos, depois de terem caído temporariamente fora deste grupo no final de 2025.
Ainda assim, o relatório sublinha que o passaporte norte-americano perdeu acesso sem visto a sete destinos nos últimos 12 meses, sendo o segundo país com maior quebra anual, apenas atrás do Reino Unido. No balanço das últimas duas décadas, os EUA registam a terceira maior queda acumulada no ranking, descendo do quarto para o décimo lugar.
Poder do passaporte reflete estabilidade política
Segundo Misha Glenny, jornalista e reitor do Institute for Human Sciences, em Viena, citado no relatório da Henley & Partners, “o poder do passaporte reflete, em última análise, estabilidade política, credibilidade diplomática e a capacidade de moldar regras internacionais”.
Glenny considera que a erosão dos direitos de mobilidade de países como os Estados Unidos e o Reino Unido “é menos uma anomalia técnica e mais um sinal de uma recalibração geopolítica mais profunda”.
Desigualdade extrema na mobilidade global
No extremo oposto do ranking, o Afeganistão mantém-se como o passaporte menos poderoso do mundo, ocupando a 101.ª posição, com acesso sem visto a apenas 24 destinos. A Síria surge em 100.º lugar, com 26 destinos, e o Iraque em 99.º, com 29.
A diferença entre o passaporte mais forte e o mais fraco é de 168 destinos, ilustrando uma desigualdade profunda no acesso à mobilidade global.
Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners e criador do índice, sublinha que “ao longo dos últimos 20 anos, a mobilidade global expandiu-se significativamente, mas os benefícios foram distribuídos de forma desigual”.
Ranking dos 10 passaportes mais poderosos do mundo em 2026
Singapura – 192 destinos
Japão e Coreia do Sul – 188 destinos
Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Suécia e Suíça – 186 destinos
Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos e Noruega – 185 destinos
Hungria, Portugal, Eslováquia, Eslovénia e Emirados Árabes Unidos – 184 destinos
Croácia, República Checa, Estónia, Malta, Nova Zelândia e Polónia – 183 destinos
Austrália, Letónia, Liechtenstein e Reino Unido – 182 destinos
Canadá, Islândia e Lituânia – 181 destinos
Malásia – 180 destinos
Estados Unidos – 179 destinos














