A história da Europa é marcada por séculos de transformações territoriais, conflitos dinásticos e redefinições políticas, mas há nações que conseguiram preservar uma identidade e uma continuidade histórica que remontam à Antiguidade Tardia ou à Idade Média. Apesar das divergências entre historiadores sobre os critérios para considerar a “idade” de um país — seja pela fundação de um reino, a consolidação de fronteiras ou o reconhecimento internacional —, há cinco nações cuja antiguidade é consensualmente reconhecida: San Marino, França, Dinamarca, Reino Unido e Portugal. Todos estes países, para além de antigos, são destinos de eleição para quem aprecia história, cultura e património.
San Marino: uma república nascida da perseguição romana
Situado em pleno território italiano, San Marino é um micro-Estado com apenas 61 km² e cerca de 34 mil habitantes, mas possui o título de país mais antigo da Europa. A sua fundação remonta ao ano 301 d.C., quando São Marino, um pedreiro cristão oriundo da atual Croácia, fugiu das perseguições religiosas do Império Romano e se refugiou no Monte Titano. Ali, fundou uma pequena comunidade que, ao longo dos séculos, evoluiu para uma república independente.
Graças à sua localização montanhosa e fortificada, San Marino conseguiu preservar a sua soberania mesmo perante os maiores desafios históricos. Segundo a Encyclopaedia Britannica, até Napoleão Bonaparte respeitou a independência da pequena república, tendo mesmo oferecido ajuda para a expansão do território em 1797 — oferta que foi recusada.
Durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de manter uma posição oficial de neutralidade, San Marino acabou por sofrer bombardeamentos britânicos devido à sua proximidade com posições militares italianas, tendo sido ainda ocupada brevemente por tropas alemãs. Hoje, a república mantém-se como uma das mais antigas do mundo e é um destino turístico pouco conhecido mas encantador, especialmente para amantes de paisagens montanhosas e arquitetura medieval.
França: herdeira do Império Carolíngio e do legado de Carlos Magno
A formação do Estado francês moderno pode ser traçada até à dissolução do Império Carolíngio, fundado em 751 pelos reis francos, com destaque para Carlos Magno, cuja influência foi determinante na cristianização e unificação de vastos territórios europeus. Este império sucedeu à Gália romana e é considerado a base histórica do que viria a ser a França.
Segundo o portal Oldest, foi em 843 que o Tratado de Verdun dividiu o Império Carolíngio entre os netos de Carlos Magno, estabelecendo pela primeira vez os contornos de uma identidade nacional francesa. Desde então, a França consolidou-se como um dos pilares da Europa, sendo hoje uma das principais potências mundiais e destino turístico incontornável.
Dinamarca: uma monarquia viking com mil anos de continuidade
O Reino da Dinamarca remonta ao ano 935, quando Gorm, o Velho, unificou a Jutlândia num período marcado pelas incursões vikings. O seu filho e sucessor, Harald I — conhecido como “Bluetooth”, nome que inspirou a tecnologia moderna —, prosseguiu a expansão territorial ao conquistar a Noruega e liderar a cristianização do povo dinamarquês.
A Dinamarca é, ainda hoje, uma monarquia constitucional, atualmente liderada por Frederico X. O papel do monarca é sobretudo simbólico, mas a continuidade da linhagem real faz da monarquia dinamarquesa uma das mais antigas do mundo ainda em exercício. Este país nórdico mantém uma forte identidade cultural e histórica, orgulhando-se das suas raízes vikings e da sua influência na formação da Escandinávia moderna.
Reino Unido: de Wessex à unificação inglesa
A história do Reino Unido tem raízes profundas na época anglo-saxónica, mais concretamente no Reino de Wessex, um dos vários reinos existentes na antiga Inglaterra. Fundado por Cerdic e o seu descendente Cynric, Wessex ganhou relevância política durante o reinado de Alfredo, o Grande, que no final do século IX defendeu o território contra invasões dinamarquesas. A sua liderança foi crucial para a posterior unificação do território inglês sob o comando do rei Athelstan.
Apesar de muitos historiadores considerarem que a Inglaterra enquanto Estado-nação apenas surgiu em meados do século X, o Reino Unido moderno tem continuidade histórica reconhecida desde essa altura. Hoje, o país mantém-se como uma monarquia sob a chefia de Carlos III, com um papel institucional e cerimonial que preserva a tradição real britânica.
Portugal: o mais antigo país da Europa com fronteiras definidas
Portugal destaca-se como o país europeu com as fronteiras mais antigas ainda em vigor, definidas em 1297 com a assinatura do Tratado de Alcanizes entre D. Dinis e o rei de Castela. No entanto, a génese do Reino de Portugal remonta a 1143, quando D. Afonso Henriques, após uma série de batalhas e disputas com a sua mãe, D. Teresa, do Reino de Leão, proclamou a independência do Condado Portucalense.
O reconhecimento internacional veio com o Tratado de Zamora, assinado em 1143, no qual o rei de Leão reconheceu a autonomia do novo reino. Portugal, portanto, não é apenas um dos países mais antigos da Europa, mas também do mundo, mantendo-se como Estado soberano de forma contínua há quase nove séculos.
Com uma rica herança medieval, castelos bem preservados e um património cultural diverso, Portugal continua a ser uma referência histórica incontornável, tanto para os portugueses como para os visitantes que procuram compreender as raízes da Europa moderna.














