Este buraco negro pode ser 100 biliões de vezes mais poderoso do que a Estrela da Morte da ‘Guerra das Estrelas’ (e é real)

Uma equipa de astrofísicos da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, identificou um dos fenómenos mais energéticos alguma vez observados no universo: um buraco negro supermassivo que, nos últimos quatro anos, tem libertado uma quantidade de energia potencialmente até 100 biliões de vezes superior à famosa Estrela da Morte da saga Star Wars.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 5, 2026
19:09

Uma equipa de astrofísicos da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, identificou um dos fenómenos mais energéticos alguma vez observados no universo: um buraco negro supermassivo que, nos últimos quatro anos, tem libertado uma quantidade de energia potencialmente até 100 biliões de vezes superior à famosa Estrela da Morte da saga Star Wars.

A descoberta resulta de um estudo agora publicado na revista científica Astrophysical Journal, onde os investigadores descrevem um evento extremo que continua a surpreender a comunidade científica pela sua duração e intensidade.

De acordo com os dados recolhidos, o buraco negro tem vindo a gerar níveis anormalmente elevados de energia desde que destruiu uma estrela próxima, cujos restos continuam a alimentar o sistema.

Jato energético está entre os mais brilhantes alguma vez detetados
O fenómeno manifesta-se através de um jato de radiação extremamente potente, considerado um dos mais energéticos e luminosos já registados no cosmos.

Segundo os cientistas, a força libertada é comparável à de uma explosão de raios gama, um dos eventos mais violentos conhecidos na astrofísica. Em termos populares, a equipa estima que a potência do jato seja “pelo menos um bilião de vezes, senão mais perto de 100 biliões de vezes, mais poderosa do que a infame Estrela da Morte” do universo cinematográfico.

Além disso, as observações indicam que a emissão de ondas de rádio deverá manter-se intensa ao longo do próximo ano, atingindo o seu pico em 2027.

A astrofísica Yvette Cendes, da Universidade do Oregon, sublinha o caráter invulgar do comportamento deste objeto.

“Isto é realmente invulgar. Ser-me-ia difícil pensar em algo a crescer desta forma durante um período tão longo”, afirmou.

Apesar de eventos semelhantes — conhecidos como eventos de disrupção tidal — não serem raros, a persistência da emissão energética ao longo de vários anos distingue este caso da maioria.

O que acontece quando uma estrela se aproxima demasiado
Os chamados eventos de disrupção tidal ocorrem quando uma estrela passa demasiado perto de um buraco negro e é destruída pelas forças gravitacionais extremas. As mesmas forças físicas estão na origem das marés oceânicas na Terra, mas em escala cósmica tornam-se devastadoras.

Nesse processo, a estrela é esticada e comprimida num fenómeno apelidado de “esparguetificação”, termo popularizado pelo físico Stephen Hawking. O corpo celeste transforma-se numa estrutura longa e fina, semelhante a esparguete, antes de ser consumido.

Embora estas ocorrências sejam relativamente frequentes, é extremamente raro que um buraco negro continue a emitir tamanha energia anos depois de destruir a estrela, algo que torna este caso particularmente relevante para a investigação.

Energia 50 vezes superior à registada há poucos anos
Cendes revelou ter identificado este evento específico em 2018, mas só lhe deu maior atenção em 2022, quando percebeu que o sistema ainda apresentava uma forte emissão de ondas de rádio.

Desde então, os dados mostram que a energia transmitida é atualmente 50 vezes mais brilhante do que em 2019.

A radiação está a ser libertada sob a forma de um único jato direcionado numa só direção, enquanto a região em redor do buraco negro emite também luz visível muito ténue.

O objeto recebeu a designação científica AT2018hyz, mas Cendes optou por um nome mais informal e bem-humorado, chamando-lhe “Jetty McJetface”.

Apesar de ainda não ser possível prever até que ponto as emissões energéticas poderão aumentar, a investigadora garante que continua a acompanhar o buraco negro de perto. Paralelamente, está também à procura de outros sistemas semelhantes que possam ter passado despercebidos, já que este tipo de comportamento não tinha sido alvo de grande atenção até agora.

A descoberta poderá abrir novas pistas sobre a física dos buracos negros supermassivos e os limites da energia libertada no universo, ajudando a compreender melhor alguns dos fenómenos mais extremos do cosmos.

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