Os líderes mundiais que participarão na próxima cimeira do G20, marcada para dezembro em Miami, serão recebidos por uma enorme estátua dourada de Donald Trump, instalada no resort que pertence ao próprio presidente dos Estados Unidos e que irá acolher o encontro internacional. A peça monumental, financiada por entusiastas de criptomoedas, está já a gerar controvérsia tanto pelo seu simbolismo político como pelos conflitos financeiros associados à sua criação.
De acordo com o ‘The Independent’, a estátua foi encomendada por um grupo ligado a um projeto de criptomoeda denominado $PATRIOT, que promove a imagem de Trump como figura central da iniciativa. O projeto, batizado de “Don Colossus”, prevê uma escultura em bronze com 4,5 metros de altura, que atingirá os 6,7 metros quando colocada sobre um pedestal de aço e betão, construído no Trump National Doral, nos arredores de Miami.
Obra financiada por criptomoeda e inspirada em episódio de campanha
A escultura está a ser executada por Alan Cottrill, artista do Ohio com obras de antigos presidentes americanos e peças integradas na coleção de arte do Capitólio dos Estados Unidos. Segundo relatou ao ‘The Independent’, os financiadores do projeto pediram-lhe que melhorasse a aparência do presidente, prestes a completar 80 anos, solicitando ajustes físicos para o tornar mais esguio.
A estátua representa Trump de punho erguido, vestindo fato e camisa de colarinho aberto, numa pose inspirada numa fotografia captada após a tentativa de assassinato falhada durante um discurso de campanha em julho de 2024, na Pensilvânia. Tal como outros elementos associados à imagem pública do presidente, a escultura será revestida com folhas de ouro puro.
Apesar da sua dimensão, o monumento ficará longe de rivalizar com grandes estátuas de líderes autoritários noutros países, como o conjunto monumental de 22 metros dedicado a Kim Il-sung e Kim Jong-il em Pyongyang, frequentemente citado como referência visual para este tipo de iconografia política.
Conflito financeiro trava entrega da estátua
A obra final encontra-se atualmente retida na fundição de Cottrill, no Ohio, devido a um litígio entre o escultor e os promotores do projeto. O artista acusa os entusiastas da criptomoeda de terem utilizado ilegalmente imagens da estátua para promover o token digital, cujo valor terá entretanto caído de forma acentuada.
Cottrill afirma ainda que lhe são devidos cerca de 90 mil dólares de um total de 150 mil acordados, garantindo que a escultura não será entregue enquanto o pagamento não for regularizado. Um dos promotores do projeto, Ashley Sansalone, contrapôs que o valor em falta será liquidado antes da inauguração, defendendo que a retenção de parte do pagamento é prática comum até à conclusão formal do trabalho.
Distanciamento oficial e envolvimento governamental
A Casa Branca tem sublinhado que não está envolvida no projeto da criptomoeda nem na instalação da estátua, e a Organização Trump não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Ainda assim, a administração Trump esteve diretamente envolvida na organização da cimeira do G20, incluindo a escolha do resort presidencial como local do encontro.
O presidente indicou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, será responsável pela agenda da reunião, que deverá centrar-se na promoção da prosperidade económica, na redução da regulamentação, no acesso a energia acessível e no desenvolvimento de novas tecnologias. A Casa Branca garantiu também que o Trump National Doral acolherá a cimeira a preço de custo, sem qualquer lucro para o presidente ou para Governos estrangeiros.
A cimeira do G20 está agendada para os dias 14 e 15 de dezembro, mas a presença da estátua promete acrescentar uma dimensão simbólica e polémica a um encontro já marcado por fortes tensões geopolíticas.














