Volodymyr Zelensky quebrou esta sexta-feira o silêncio a propósito do plano de paz de 28 pontos negociado secretamente entre a Administração Trump e Moscovo. “A Ucrânia enfrenta um dos momentos mais difíceis da sua história e a escolha entre perder um parceiro importante (os EUA) ou a sua dignidade”, alertou o presidente ucraniano, num vídeo publicado na rede social ‘X’.
The American side presented points of a plan to end the war—their vision. I outlined our key principles. We agreed that our teams will work on the points to ensure it’s all genuine.
We're geared up for clear and honest work—Ukraine, the U.S., our European and global partners. pic.twitter.com/DscaCBg4vW
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) November 20, 2025
Zelensky instou os ucranianos a manterem-se unidos e prometeu não trair os interesses nacionais da Ucrânia, trabalhando “construtivamente” com os EUA para alterar o acordo proposto, de modo a que a Rússia não possa argumentar que Kiev não quer a paz.
A este propósito, o líder ucraniano afirma que procurará “soluções construtivas” e está preparado para “apresentar argumentos, persuadir e oferecer alternativas”, mas que nunca permitirá que esta situação dê a impressão de que “a Ucrânia não quer a paz ou está a obstruir o processo” para pôr fim à guerra. “Isso não vai acontecer”, sublinha.
Por isso, Zelensky avisou que a próxima semana será “muito difícil” para a Ucrânia, uma vez que estará sob muita pressão política enquanto os EUA esperam impor a sua proposta de paz.
Zelensky afirmou que os parceiros da Ucrânia esperam que responda em breve à proposta dos EUA e reiterou o seu juramento de posse de proteger a Constituição ucraniana como princípio orientador nestas considerações . “Nunca a trairei. O interesse nacional ucraniano deve ser tido em conta”, afirmou.
Os pontos inaceitáveis para Kiev
Com estes apelos de Zelensky à Constituição ucraniana e à “dignidade do país”, o líder ucraniano rejeita efetivamente muitos dos pontos do projeto de plano de paz que foram divulgados e que, na prática, equivalem à capitulação da Ucrânia.
Assim, o plano de paz elaborado por Trump com Moscovo coloca em discussão o reconhecimento internacional da Crimeia, do Donbass e de Lugansk como territórios russos, uma questão que nem Kiev nem os seus parceiros ocidentais estão dispostos a aceitar.
As outras duas regiões disputadas, Kherson e Zaporizhia, onde cinco pessoas morreram hoje num ataque russo, ficariam sob controlo dividido, de acordo com a divisão demarcada pela linha da frente no momento da cessação das hostilidades.
A central nuclear ocupada em Zaporizhia, a maior da Europa e sob controlo russo desde o início da invasão, distribuiria eletricidade equitativamente pelos lados ucraniano e russo, de acordo com o documento publicado pelos meios de comunicação ucranianos e pelo Instituto de Washington para o Estudo da Guerra (ISW), um think tank especializado em conflitos que acompanha o desenvolvimento da invasão russa desde o início.
Exige ainda limitar o exército de Kiev a um máximo de 600 mil soldados após a guerra, exclui a adesão à NATO e exige o reconhecimento do direito ao uso do russo no sistema educativo e nos meios de comunicação social.
Os EUA liderariam a reconstrução da Ucrânia e supervisionariam, sob um Conselho de Paz presidido por Trump, a implementação deste plano, que inclui o compromisso da Rússia com uma política de não agressão em relação à Ucrânia e à Europa.
Caso este plano de paz seja finalmente assinado, Zelensky terá também de se submeter a eleições no prazo de 100 dias após a entrada em vigor do documento.
Por outro lado, Zelensky destacou esta sexta-feira o apoio que recebe dos seus parceiros europeus, que entendem “que a Rússia não está longe e que a Ucrânia é o único escudo que separa a vida confortável na Europa dos planos de agressão de Putin”.
Expressou ainda gratidão pelos elogios dirigidos à heroica nação ucraniana na sua luta contra a invasão russa, mas sublinhou que os ucranianos estão sob uma pressão inimaginável devido aos contínuos ataques diários. “É claro que somos feitos de aço. Mas nenhum metal, nem mesmo o mais forte, consegue resistir a isto “, declarou.
Por fim, numa tentativa de reacender o sentimento de unidade nacional, o presidente ucraniano recordou as pressões que enfrentou em 2022, no início da invasão russa, bem como ao longo desta crise, mas afirmou que as suportou porque “sentiu o apoio de todos”. “Não traímos a Ucrânia naquela altura e não a trairemos agora”, concluiu.














