Escândalo em Espanha: Vacinas fora de prazo administradas por erro a 253 pessoas, maioritariamente bebés

Os serviços de saúde do País Basco, em espanha, administraram por erro vacinas hexavalentes fora do prazo de validade a 253 pessoas, a maioria bebés, um incidente que, segundo o Governo regional, não provocou “qualquer tipo de afeção na saúde nem efeitos adversos”.

Pedro Gonçalves
Janeiro 28, 2026
14:13

Os serviços de saúde do País Basco, em espanha, administraram por erro vacinas hexavalentes fora do prazo de validade a 253 pessoas, a maioria bebés, um incidente que, segundo o Governo regional, não provocou “qualquer tipo de afeção na saúde nem efeitos adversos”. As doses em causa tinham expirado “recentemente”, de acordo com as autoridades sanitárias bascas.

Em comunicado, a Direção de Saúde Pública assegurou que todos os casos estão “perfeitamente identificados” e que os serviços de saúde estão a contactar diretamente as famílias afetadas para prestar informação e transmitir as orientações necessárias, sublinhando uma mensagem de “tranquilidade”.

A situação foi tornada pública esta terça-feira pela coligação EH Bildu, que apresentou uma iniciativa parlamentar dirigida ao conselheiro da Saúde, Alberto Martínez, alertando para a administração de vacinas caducadas a “dezenas de crianças”. Na sequência da denúncia, o serviço público de saúde basco, Osakidetza, confirmou os factos e esclareceu que as doses foram administradas em 12 das 13 Organizações Sanitárias Integradas (OSI) existentes no País Basco, abrangendo quase todo o território.

Autoridades recomendam nova dose para garantir proteção máxima
Após analisar o ocorrido, o Conselho Consultivo de Vacinas do País Basco recomendou a administração de uma nova dose da vacina hexavalente, com o objetivo de “assegurar a máxima proteção”. Os centros de saúde iniciaram já os contactos com as famílias para agendar uma nova vacinação.

A vacina hexavalente é utilizada para prevenir seis doenças: difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, hepatite B e infeções causadas pela Haemophilus influenzae tipo B. A Direção de Saúde Pública indicou que o caso foi avaliado em articulação com a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS), com o Conselho Consultivo de Vacinas e com o fabricante da vacina, bem como com outros organismos especializados em saúde pública.

EH Bildu acusa falhas graves nos procedimentos de Osakidetza
Na iniciativa parlamentar apresentada, a EH Bildu exige explicações ao conselheiro da Saúde e afirma que, em alguns casos, terá sido administrada uma segunda dose igualmente fora do prazo de validade. A coligação acusa ainda o serviço de saúde basco de não ter assegurado um controlo rigoroso da rastreabilidade das datas de validade das vacinas e de não ter cumprido “os procedimentos e protocolos estabelecidos”.

A deputada Rebeka Ubera, signatária da iniciativa, afirmou que, ao receberem vacinas caducadas, os menores afetados “ficam desprotegidos face a essas seis doenças, que podem ser graves”. Segundo Ubera, não se tratou de um erro pontual, mas de um “grave problema de organização e funcionamento dentro de Osakidetza”.

Lehendakari apela à calma e garante controlo da situação
O lehendakari Imanol Pradales pronunciou-se sobre o caso após uma reunião com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa. Pradales garantiu que a situação “está monitorizada” e que todos os casos registados estão “perfeitamente controlados”.

Relativamente à decisão de revacinar, explicou que, de acordo com a Agência Espanhola do Medicamento, essa medida “nem sequer seria necessária, porque não existe risco para a saúde”. Ainda assim, sublinhou que estão a ser mobilizados todos os meios para assegurar a revacinação dos afetados. O lehendakari apelou à “calma”, reiterando que “não há qualquer problema em termos de saúde para as pessoas”, e adiantou que o conselheiro da Saúde prestará mais esclarecimentos públicos na quarta-feira.

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